<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733</id><updated>2011-11-24T04:55:10.037-02:00</updated><category term='Trocadilhos'/><category term='Música'/><category term='Sobre isso e aquilo'/><category term='Avisos e dicas'/><category term='Minicontos'/><category term='Literatura'/><category term='Literatura infantil e juvenil'/><category term='Caos e Letras'/><category term='Crônicas'/><category term='Vídeos'/><category term='Viagem'/><category term='Contos'/><category term='Fotografia'/><category term='Língua portuguesa'/><category term='Poesia'/><title type='text'>Trilhos das Letras</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>68</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-5498850440002552107</id><published>2011-01-24T17:48:00.002-02:00</published><updated>2011-01-25T19:21:24.317-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Avisos e dicas'/><title type='text'>Aviso ao leitor</title><content type='html'>Desculpe-nos pelo transtorno: Autor em manutenção para melhor atendê-lo.&lt;br /&gt;Em abril voltaremos com novidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-5498850440002552107?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/5498850440002552107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2011/01/aviso-ao-leitor.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5498850440002552107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5498850440002552107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2011/01/aviso-ao-leitor.html' title='Aviso ao leitor'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-4917881089813572600</id><published>2010-12-16T17:46:00.003-02:00</published><updated>2011-01-25T19:22:01.725-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos e Letras'/><title type='text'>Parabólica</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;[&lt;i&gt;meu novo conto, publicado na edição deste mês do &lt;a href="http://www.caoseletras.com/"&gt;Caos e Letras&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rastro que seguia a estradinha em direção à periferia da periférica cidade de Imburana não era feito por nenhum pneu de automóvel, pois disso só existia por ali um Passat 81 que não saía de casa havia três meses, por conta de uma moléstia nos ossos do joelho esquerdo de seu proprietário, o delegado, que, este sim, saía de casa vez em quando, mas deixava um rastro triplo com o contorno de dois pés e de uma bengala de carvalho. E nem era pegada de cobra, tatu, porco, lambisgoia, saci, porque tudo isso existia por ali, mas não costumava andar durante o dia naquela estradinha à beira dos poucos e pobres casebres das redondezas, sob pena de ter os segredos da vida desvarridos de debaixo do tapete por uma das rendeiras que ficavam a tecer fofocas na ponta da agulha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rastro, que acompanhava um par de calosas pegadas, era uma marca riscada na terra pelo arame desgrenhado de uma antena parabólica. Chegava a arrancar pedregulhos do solo, desmanchar formigueiros, estrebuchar trevos de três e de quatro folhas, tanto faz a quantidade, pois a sorte daquele povaréu não era direta nem inversamente proporcional ao número de folhas de um trevo, era um denominador zero. E essa antena parabólica, puxada com tanto suor pelo braço sem parábolas do Vicente, estava chegando meio estragada ao quintal do Vicente, vinda lá da cidade, da casa do cunhado do Vicente, que lhe vendera fiado aquela geringonça havia muito abandonada, concha abortada pela ressaca do sertão. A Isabel, irmã do cunhado do Vicente, e por coincidência mulher do Vicente, fazia tempo que pedia uma parabólica para ver a novela das nove e nove, para ver a protagonista da novela das nove e nove, a Suzy, porque o sinal VHF atravessava com dificuldade a serra e chegava meio empoeirado a Imburana, deformando o rosto da atriz e impedindo a Isabel de ver como ficou a plástica no nariz da Suzy. Nariz que, se se levassem em conta as histórias que a Isabel lia na revistinha da venda do Malaquias e recontava ao Vicente, devia ser a cada dia maior, porque, segundo lenda da região, as mulheres que enganavam o marido encompridavam o nariz próprio e o chifre alheio, e a tal da Suzy não era brincadeira em matéria de cornear o digno esposo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprara fiado o Vicente, pois estava desempregado, e só mesmo o cunhado para lhe fazer aquele favor. Tinha um mês pra pagar, sob pena de perder para o bom cunhado a tevê de 14 polegadas, que entrara no roteiro daquele melodrama financeiro fazendo o papel da multa e que fora, aliás, presente de casamento do próprio cunhado. Mas o que importava no momento era a felicidade da Isabel, os três anos de casados, os três anos de choradeira querendo uma antena decente para ver a novela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A antena estava lá, descansando no quintal, enquanto o Vicente entrava para tomar um gole de água e repor os sais minerais que seriam necessários para instalar o monstro, apesar de o Vicente não entender nada de eletrônica, não saber o que era satélite, não atinar com nada que não fosse feito de madeira e pedra. Mas entendia de mulheres, principalmente da sua, e sabia que, se a Isabel chegasse mais tarde e não encontrasse a tevê tinindo, ela ia entrar fuzilando, irritada depois da viagem de algumas horas de jardineira até a cidade vizinha, disse que pra comprar uma calcinha vermelha, pois esse tipo de artefato não era vendido no casto comércio local. Essa história excitava o Vicente, que queria de todo jeito agradar a mulher para, depois da novela, pedir que ela vestisse e desvestisse a nova aquisição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de tudo, ele a adorava, amava mesmo, embora o povo dissesse que amor por aqueles lados era ventania, ia-se embora se não fosse nutrido com um bom prato de feijão com arroz e farinha. Não era um vagabundo, o Vicente, só dera azar de perder o emprego logo depois do casório, e até agora não encontrara nenhum trabalho sério, só aquele bico ajudando o irmão na pedreira, que lhe garantia umas migalhas para comprar migalhas. Ele queria provar que de amor se podia viver sim, era homem e sabia fazer uma mulher feliz, sabia honrar as promessas do matrimônio, e aquela antena ia trazer felicidade para o lar, porque era um ato de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felicidade não se espera, se constrói, e o Vicente voltou rápido ao quintal para começar a instalação daquele receptor de bem-aventuranças domésticas. "Não tem segredo, Vicente", vinha de longe, pelo satélite, a lembrança da voz do cunhado, "ela já tá montada, é só enfiar o cano no chão, puxar os fios e direcionar o centro pro Cruzeiro do Sul."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de o Vicente ter tomado uma boa dose de sol durante a caminhada, o algoz ainda tinha muito calor para tostar a testa do caboclo, antes de se refugiar atrás da serra. Até o anoitecer dava tempo de o Vicente fazer o buraco e desemaranhar aquela teia de fios e cabos que o cunhado lhe empurrara, mesmo sem saber para onde diabos teria que apontar aquilo, pois o Cruzeiro caminha no céu, não tem pouso fixo, mas isso ele ia ver à noite, agora tinha muito que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou o enxadão e começou a cavoucar o chão, cavoucar o pensamento, imaginando a alegria da Isabel, o suspiro da Isabel, ai, que sempre o atacava e o enchia de ternura, o suspiro do início do namoro, sonhando filhos e eletrodomésticos, sonhando antenas parabólicas e novelas, sonhando o galã que o Vicente nunca fora, mas que servia pro gasto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terra seca ia se amontoando ao lado do buraco, terra que poderia voar ao léu depois de um suspiro da Isabel, o suspiro, ai, que sempre o atacava e enchia de desejo, o suspiro do início do casamento, nas noites de sábado, quando os dois se entregavam a todo tipo de carícia, quando os dois se entregavam a intimidades que o Vicente agora, vendo a terra seca, estéril, recordava com saudade. Quem sabe esta noite, com a ajuda da parabólica e da calcinha vermelha, a Isabel volte a procurá-lo com a mesma necessidade dos primeiros tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cova já era suficiente para enfiar o cano da parabólica, atochar lá no fundo e depois, ufa, o trabalho mais cansativo, que seria apenas empurrar a terra de volta, preencher os contornos do metal, apertar, pisar, para ficar tudo rijo, mas como era pesado aquele serviço, se ao menos houvesse o suspiro da Isabel para ajudar, o suspiro forçado das últimas noites, ai, que sempre o atacava e enchia de ciúme. Ela já não era a mesma desde que passara a ir à venda do Malaquias ler sobre a Suzy e os namorados da Suzy, porque o nariz da Suzy isso, o nariz da Suzy aquilo, o namorado da Suzy que parecia um deus, o outro namorado da Suzy que parecia um leão garboso, o amante da Suzy que tinha o cabelo do... Malaquias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ele não desconfiara? Não, não podia ser, estava imaginando coisas, culpa daquele sol a fritar a mente, culpa daquela antena a prenunciar novelas e filmes impróprios que mexiam com a cabeça das senhoras casadas, culpa daquela antena-sol que mexia com a cabeça dos senhores casados. O Vicente não conseguia parar de cavar e já podia se enfiar até o joelho na cova de tatu, quase até as coxas, quase até o sexo seco de vontade, mas era preciso cavar mais e mais e mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que uma antena daquela? A vida por ali já era gigante demais, com todas as histórias contadas pelas rendeiras sobre lambisgoias e mulas sem cabeça, não era preciso uma parabólica pra saber sobre o resto do mundo, porque o mundo ali era gigante demais, embora coubesse sei lá por que traquinagem de saci dentro do cachimbo dos anciãos, nos causos que eles contavam sobre lambisgoias sem cabeça, o mundo era grande e pequeno, vai entender, e cabia em tudo, menos naquela meia cabaça apocalíptica feita de arame e pesadelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cavar era preciso, porque a Isabel logo ia chegar e querer de todo jeito ver a novela pela parabólica, era preciso cavar mais, para o Vicente enterrar bem fundo aquela desconfiança, aquela desgraça de imaginação de desempregado vadio. Mas ele não era vadio, apenas pensava coisas demais sobre a Isabel, coitada, tão boa moça, coisas de novela, não da vida real, pois na vida real havia as rendeiras, os bons cunhados, as cobras, os tatus, a vila, a venda do Malaquias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior era que o Malaquias andava meio arisco com ele, sempre arrumando serviço pra fugir da conversa, sempre num não dizer, num não encarar. E a Isabel andava suspirosa demais, ansiosa demais, muito estranha, muito suspeita com aquela história de comprar calcinha vermelha, se ela nunca gostou de vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisava ir lá, tirar tudo aquilo a limpo, estapear a Isabel, estripar o Malaquias, mas antes tinha que terminar o buraco. O sol já sumira atrás do novo horizonte edificado pela borda do buraco, as primeiras estrelas começavam a aparecer, logo o Cruzeiro do Sul ia apontar lá em cima, e ele não conseguiria sair do abismo, que já estava fundo demais, mas não o suficiente, pois o cano era longo, o chifre era imenso, o nariz da Isabel era descomunal. Tudo tinha de caber ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega de cavar, preciso sair daqui pra plantar a antena, depressa, já estou ouvindo a risada do Malaquias, já estou ouvindo a risada da Isabel, já estou ouvindo o suspiro dos dois namorados a empurrar a terra pra dentro da cova. Socorro! Ser enterrado vivo não quero, me deixem ir embora, prometo que não vou atrapalhar, e ainda instalo a antena para vocês assistirem à novela juntos, me deixem sair, tenho que apontar a antena pro Cruzeiro do Sul antes que o sol nasça de novo, antes que a Isabel chegue de calcinha vermelha, antes que o cunhado venha cobrar o pagamento e leve a parabólica, a televisão, antes que esse suspiro poderoso e descontrolado da Isabel leve a parabólica, o cunhado, a lambisgoia, o chifre, o tatu, a vergonha. O pó, o pó, o nariz asfixiado, o pó, o pó, a mente asfixiada, o pó, o pó, o nariz, o nariz. O narizinho da Isabel, tão pequeno e bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pegadas do Vicente e da antena tinham sumido da estradinha. As rendeiras também se esconderam dentro de casa, fugindo da ventania. Os trevos não tinham três nem quatro folhas, todas arrancadas, levadas pela parábola do rodamoinho que se distanciava. Arte de saci, pensou a Isabel. Ela seguia a pé pelo caminho, deixando seu próprio rastro no chão. Rastro rebolado e encarnado como a calcinha que trazia no corpo. O Vicente ia gostar, ele que andava tão borocoxô depois de perder o emprego. Depois de começar a beber na venda do Malaquias. Depois de começar a ficar até tarde assistindo à tevê na venda do Malaquias. E só falava de novela, de histórias distantes e banais sobre traição e romance. Pois se nem a própria Isabel via novela, achava que isso embotava a cabeça de todo mundo, quanto mais a de um desocupado como o Vicente. Ele tinha perdido o ânimo, dizia que sem emprego não havia feijão com arroz e farinha, e que só de amor ninguém vivia. Mas a calcinha vermelha ia reanimá-lo, ia trazer de volta os primeiros tempos. A Isabel queria provar que de amor se podia viver sim. Era mulher e sabia fazer um homem feliz. Sabia honrar as promessas do matrimônio. E aquela calcinha ia trazer felicidade para o lar, porque era um ato de amor.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-4917881089813572600?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/4917881089813572600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/12/parabolica.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/4917881089813572600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/4917881089813572600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/12/parabolica.html' title='Parabólica'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-572387975137020332</id><published>2010-11-08T20:14:00.007-02:00</published><updated>2011-01-25T19:22:29.484-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Ah, como eu gostaria</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;[&lt;i&gt;meu novo texto, publicado na edição deste mês do &lt;a href="http://www.caoseletras.com/"&gt;Caos e Letras&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;br /&gt;Ah, como eu gostaria, nesta noite de sexta-feira, nesta noite de sexta-feira em São Paulo, com todo o povo agitado nas ruas, a juventude agitada, a juventude da qual eu não mais faço parte, felizmente ou infelizmente, porque aos 32, beirando os 33 de Cristo, porque aos 32 não me sinto mais jovem, já não faço o barulho dos jovens, não suporto a falta de sensibilidade dos jovens, mas também não sou um velho casmurro, não tenho a seriedade dos velhos, ah, como eu gostaria, relembrando os céus estrelados do interior, as noites estreladas de pescaria com meu pai e meu irmão, cada lambari de rabo vermelho que fisgávamos, relembrando as chuvas tomadas nas esquinas com os amigos, sem medo de gripe ou ladrão, relembrando as noites de paródia com minha mãe, quando reconstruíamos versos populares de cantores medíocres e inventávamos letras esdrúxulas, com ou sem rimas esdrúxulas, quando eu mal conhecia Chico Buarque e sua construção, quando o único clube da esquina que eu conhecia era o de camaradas que tomávamos chuva nas noites do interior e imaginávamos histórias de vampiro e detetive, e ainda não era O Clube da Esquina aquele magistral agrupamento de vozes e mentes que depois viriam trazer inspirações esdrúxulas a este coração norte-centro-sul-americano, inspirações que sei lá o que inspiravam ou inspiram, uma inspiração-respiração, batimento cardíaco, suspiro, vida e morte, que não é o mesmo tipo de inspiração que vem do Chico, nem é a inspiração spleen do poeta francês, muito menos essas inspiração enevoada que sopra das mãos enevoadas de Nelson Freire quando ele toca, neste momento, os noturnos de Chopin, noturnos tão noturnos e estrelados, noturnos tão ensolarados e chuvosos, que só me fazem pensar em como eu gostaria, nesta noite de sexta-feira, enquanto escrevo este conto, esta crônica, este poema, este romance esdrúxulo, estas palavras sem pé nem cabeça, só peito, estas palavras que só interessam a mim, estas pobres palavras que alguém um dia vai rotular de qualquer coisa como prosa poética ou como lixo, pra mim tanto faz, porque estas palavras são apenas noturnos, enquanto aguardo, nesta noite em São Petersburgo, em São Francisco, em São Luiz do Paraitinga, em São Luís do Maranhão do São Gullar, do Gullar que me observa agora, ao lado do Machado, do Pessoa, do Oscar Wilde e até do francês, que deve estar sentindo um spleen danado por me ver, e todo esse povo me olha de dentro de um papel-bíblia da Aguilar, todos esses caras comprados em promoções, todos eles valendo um preço tal, setenta reais e noventa centavos, e mesmo sabendo que esse povo também é vendido por aí, que virou mero adorno para minha estante, sim, porque nestes dias de trabalho e trabalho, como achar tempo para poesia e romance, e pior, como achar tempo para escrever poesia ou romance, e pior, como achar coragem para escrever poesia ou romance ou qualquer coisa diante desses olhares eternos, opressores até, é por isso que esta noite, em São Paulo das Almas Perdidas, eu só gostaria mesmo, pensando na volta dele, ele que foi maior que Machado ou Chopin, pensando que ele não deveria trazer a espada, e sim a paz, porém não dá, ele mesmo disse que não, e é isso mesmo que precisa ocorrer, precisamos da espada, do espinho, que corte a carne dessa juventude egoísta, que arranhe a pele deste burguesinho que sou e o faça abrir a janela e sentir o cheiro de mijo e fome dos mendigos, que abra ao meio este burguesinho, eta palavra fora de moda, burguês, tão fora de moda como escrever cartas de amor, como escrever o falso e descabido fluxo de consciência de um burguesinho fora de moda, que se empanturra de pizza com mussarela derretida numa noite de sexta-feira em São Paulo da Miséria, terra dos burguesinhos como eu, dos milionários da rua de cima, dos travecos debaixo do Minhocão, e dos mendigos de todo canto, em cima do viaduto, embaixo do Tietê, grudados na sola de nosso All Star fora de moda, agarrados ao pedaço de pizza que escorre para dentro de nosso estômago, tudo isso tão lugar-comum, tão clichê como falar da fome dos outros enquanto se devora um triângulo de mussarela de búfala, tão clichê como escrever maus fluxos de consciência, fluxos de consciência de um burguesinho sem consciência, porque só sabe ouvir Chopin dentro de um quarto de classe média, enquanto aguardo, já que não posso esperar por um novo mundo possível, tão fora de moda esperar isso, pedir paz, justiça, igualdade e nada fazer, discursos políticos jogados no vazio, tudo tão fora de moda como ouvir um noturno de Chopin e aguardar você chegar e, como toda noite você faz, ah, como eu gostaria de te ouvir chegar de mansinho na cama, me dar um beijo e um boa-noite-meu-bem, e me abraçar um abraço tão apaixonado e tão lúcido que num segundo silenciaria os gritos, os tiros, as sirenes e os roncos de fome, e eu fecharia este caderno de rascunhos porque a partir desse abraço nada mais importa senão lembrar que pelo menos aqui, neste quarto de classe média, ao som de um piano noturno que não é o de Sam, ainda existe o amor, eta palavrinha tão fora de moda que dá até medo de escrever para não gastar, para não acabar, para não chocar.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-572387975137020332?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/572387975137020332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/11/ah-como-eu-gostaria.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/572387975137020332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/572387975137020332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/11/ah-como-eu-gostaria.html' title='Ah, como eu gostaria'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-2159731655319963223</id><published>2010-09-06T17:58:00.002-03:00</published><updated>2010-09-06T17:59:54.648-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos e Letras'/><title type='text'>Rubi</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;[&lt;em&gt;meu novo conto, publicado na edição deste mês do &lt;a href='http://www.caoseletras.com/'&gt;Caos e Letras&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;]&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A cadeira preferida de meu pai estava tombada e silenciosa. No quarto escancarado, nem sinal do velho. O cigarro proibido pelo médico ainda soltava uma envergonhada fumaça. O par de sandálias enrugadas aguardava o par de pés enrugados. Um copo de leite fervido esfriava na mesinha, junto com os óculos. No chão, toda a roupa jogada. Tudo por ali indicava uma ausência desmedida, uma ausência apressada. Será que ela veio buscá-lo, pensei, já quase acreditando na história que ele não parava de contar nos últimos tempos. Mas e o rádio, e Ray Charles, e &lt;em&gt;Ruby&lt;/em&gt;,&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;onde estão?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A primeira vez que ele ouviu &lt;em&gt;Ruby&lt;/em&gt;... Quantos anos, já? Eu o levava a uma consulta ao cardiologista, falávamos das chuvas, ou da falta das chuvas. Devia ser da falta, porque ele usava seu cachecol azul tricotado por minha já falecida mãe, então provavelmente era inverno. Mas ele sempre usava aquele cachecol para "guardar a memória da melhor mulher do mundo", então podia ser verão, e o assunto seriam as chuvas. O fato é que falávamos da chuva, de seu excesso ou de sua falta, ou da falta de assunto, quando meu pai ouviu, pelo rádio do carro, a voz cega de Ray Charles: They say, Ruby you're like a dream...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele parou de falar, parou de se preocupar com os exames, me mandou ficar quieto. Imaginei que conhecesse a música, que ela lhe trouxesse recordações, porque fechou os olhos e até balançou a cabeça devagar, seguindo o ritmo. Um sorriso apareceu em seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ Conhece Ray Charles, pai? ‒ perguntei, assim que a música acabou.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ Quem? Não, não.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ Eu pensei que...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ Essa é a melhor música do mundo! Por que eu nunca tinha ouvido?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ É &lt;em&gt;Ruby&lt;/em&gt;, do Ray Charles. Ela fala sobre...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ Fica quieto. E eu não sei do que ela fala, oras? É a história de um casal de apaixonados que se saem pelo mundo para encontrar um lugar onde possam se amar sem serem incomodados por essa gente sem amor.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não questionei. Ele não sabia inglês ou qualquer outra língua, por isso é claro que não entendera a letra. Deixei meu pai pensar que eu acreditara na história.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ O nome da mulher é Rubi. É como eu chamava a sua mãe. Nos primeiros dias de nosso namoro... Ei, para onde está me levando?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ Ora, pai, para o médico.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ Tá louco? Vira ali, na 11 de Junho tem uma loja de cd. Eu preciso desse cd. Depois a gente vai para aquele carniceiro.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E foi ali que começou sua paixão por Ray Charles. Ou melhor, por &lt;em&gt;Ruby&lt;/em&gt;, pois era a única faixa que ele ouvia do cd que lhe comprei. Ele dizia que as outras músicas eram assim, assim, e que só aquela lhe trazia de volta o perfume de minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De certa forma, aquela música o acalmou. Meu pai passou a se alimentar melhor, a dormir bem, e até voltou a se barbear, o que não fazia desde a morte de minha mãe. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Apenas a sanidade mental parecia ter sido um pouco abalada. A cada dia ele inventava uma letra diferente para a música, e jurava que a nova era verdadeira. Ele se trancava no quarto, ligava o cd e repetia &lt;em&gt;Ruby &lt;/em&gt;centenas de vezes. Então saía de lá dizendo que minha mãe estava em Casablanca esperando por ele; depois dizia que ela estava em Paris, no Rio, na igreja em que se casaram, no café do centro da cidade, na rodoviária, na lua.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um dia propus matriculá-lo em uma escola de inglês, para que ele pudesse entender a letra real da música. &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ Pra quê? O importante é a melodia. O que o cantor fala é só recheio. A melodia já me conta tudo que eu preciso saber. E se o cantor falar um palavrão ou disser asneiras? Estragou a música. Não quero, não quero.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mesmo com tantas histórias na cabeça, sua vida seguia sem contratempos e a saúde melhorara muito. Em todo caso, meu apartamento era perto da praia em que ele morava; então, se houvesse qualquer problema, em minutos eu estaria lá. E todos os dias eu passava por ali, para ouvir suas histórias e comer robalo, "o melhor peixe do mundo", que ele mesmo pescava e preparava.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nos últimos tempos, no entanto, a história mudou. Ou melhor, a história da música, a letra inventada ou sonhada por meu pai, não mudou, passou a se repetir sempre. Não mais Paris, não mais Casablanca, não mais viagens românticas. &lt;em&gt;Ruby&lt;/em&gt; só dizia uma coisa: minha mãe vinha buscá-lo, estava com saudade de quando eles nadavam juntos, nus, e queria levar meu pai para nadar lá no fundo do mar, onde esse mundo sem amor não podia importuná-los.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por isso, na tarde em que encontrei o quarto abandonado, só consegui pensar nessa história e corri para o mar. Eu não acreditava em nada daquilo, mas me preocupava com o que meu pai pensava. Para ele, era tudo verdade, ele me dizia que sua hora de reencontrar minha mãe estava chegando. Fiquei arrependido por não ter-lhe dado ouvido, por não ter pensado em interná-lo ou levá-lo para minha casa. Agora não tinha mais jeito. Talvez se eu corresse poderia ainda salvá-lo da avidez do mar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O sol já estava baixo, mas me ofuscava e me impedia de enxergar com nitidez. Entrei com roupa e tudo na água. Gritei de frio e desespero. Só as ondas respondiam: I hear your voice and I must come to you. I have no choice, so what else can I do?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tentei nadar mais para o fundo, mas o terno me agarrava e me prendia. Chorei. Então notei que algo como uma tripa azul boiava mais adiante: o cachecol, que sumia agora em direção ao horizonte. Não tentei pegá-lo, não conseguiria, pois sabia que as mãos de minha mãe e de meu pai o puxavam lá para o poente e nenhuma força seria capaz de impedi-los.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De volta à praia, sentei na areia para olhar pela última vez o cachecol. Não enxergava quase nada; aos poucos o crepúsculo tomava conta de meus olhos e de minha mente. E só conseguia pensar em Ray Charles, na música, nas histórias de meu pai. Por quê? Como podia uma canção transtornar uma pessoa? &lt;em&gt;Ruby &lt;/em&gt;era realmente uma bela canção, como poderia ter trazido consequências tão trágicas? O que se passara na cabeça de meu pai?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ Está doido de nadar com roupa, meu filho?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olhei para o lado e vi um corpo nu, branco, branco, que agitava um objeto perto do ouvido.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ Pai?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele chegou mais perto e notei um cd player portátil em sua mão. De dentro do aparelho escorria um fio de água.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ Que droga. Você me compra um novo? Essa porcaria não é à prova d'água.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ E seu cachecol? Eu vi uma coisa boiando e achei que...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ Ah, o cachecol. Era o melhor cachecol do mundo. Acabei perdendo no fundo do mar. Agora ele vai agasalhar tubarão.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ E a história da mãe?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ Mãe? Sua mãe já morreu. Você acredita em cada lorota.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele olhou para o mar, deu um suspiro e completou:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;‒ Aquele curso de inglês ainda tem vaga?&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-2159731655319963223?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/2159731655319963223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/09/rubi_06.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/2159731655319963223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/2159731655319963223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/09/rubi_06.html' title='Rubi'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-5152121719947021055</id><published>2010-08-22T20:18:00.001-03:00</published><updated>2010-08-22T20:19:17.433-03:00</updated><title type='text'>Convite de lançamento do Mecanismos Precários</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/THGwFsUKvCI/AAAAAAAAAG0/GhzwJvXlnHM/s1600/ConviteMecanismos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="265" src="http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/THGwFsUKvCI/AAAAAAAAAG0/GhzwJvXlnHM/s320/ConviteMecanismos.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-5152121719947021055?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/5152121719947021055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/08/convite-de-lancamento-do-mecanismos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5152121719947021055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5152121719947021055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/08/convite-de-lancamento-do-mecanismos.html' title='Convite de lançamento do Mecanismos Precários'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/THGwFsUKvCI/AAAAAAAAAG0/GhzwJvXlnHM/s72-c/ConviteMecanismos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-2693207300220815086</id><published>2010-08-10T20:47:00.000-03:00</published><updated>2010-08-10T20:47:19.904-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos e Letras'/><title type='text'>Pequena morte na madrugada</title><content type='html'>(&lt;i&gt;trecho do meu novo conto, publicado no &lt;a href="http://www.caoseletras.com/"&gt;Caos e Letras&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desconhecido, de boné vermelho virado para trás, enforcou-se no jacarandá-mimoso da minha casa. &lt;br /&gt;Acordei com o sussurro de sua alma asfixiada sendo desalojada. Pela  vidraça, só vi o boné. Balança que balança até estacar, o vermelho se  destacando contra a xilogravura soturna da árvore, da corda e das casas  opostas. Goeldi puro. Só faltavam os urubus, mas estes já tinham sido  convocados. &lt;a href="http://www.caoseletras.com/2010/08/pequena-morte-na-madrugada.html"&gt;&lt;i&gt;Leia mais&lt;/i&gt;. &lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-2693207300220815086?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/2693207300220815086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/08/pequena-morte-na-madrugada.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/2693207300220815086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/2693207300220815086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/08/pequena-morte-na-madrugada.html' title='Pequena morte na madrugada'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-6141907407569396054</id><published>2010-08-03T08:14:00.001-03:00</published><updated>2010-08-03T08:14:57.158-03:00</updated><title type='text'>Meu primeiro livro</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/TFfuH6ntcOI/AAAAAAAAAGs/XGjh58KH5yY/s1600/CapaMecanismos.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/TFfuH6ntcOI/AAAAAAAAAGs/XGjh58KH5yY/s320/CapaMecanismos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não é exatamente meu primeiro livro. É uma coletânea de contos, reunindo gente como Nelson de Oliveira, Marcelino Freire, Edson Cruz, Marcelo Maluf e uma porrada de escritor dos bão. Mas tem um conto meu também!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Mecanismos precários &lt;/i&gt;já tem data de lançamento: 11 de setembro, lá no Espaço Terracota, na Vila Mariana. Quando tiver mais detalhes, como o horário, eu aviso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já adianto aqui o convite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-6141907407569396054?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/6141907407569396054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/08/meu-primeiro-livro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/6141907407569396054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/6141907407569396054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/08/meu-primeiro-livro.html' title='Meu primeiro livro'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/TFfuH6ntcOI/AAAAAAAAAGs/XGjh58KH5yY/s72-c/CapaMecanismos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-3901025071228563296</id><published>2010-07-13T09:00:00.000-03:00</published><updated>2010-07-13T09:00:00.151-03:00</updated><title type='text'>Voltando à ativa</title><content type='html'>Nada como a disciplina. Palavra feia, lembra militares, lembra escola. Mas autodisciplina é bom, lembra que não precisamos de militares nem de escolas (pelos menos não das escolas despreparadas de hoje).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obriguei-me a acordar mais cedo todos os dias (sem a exceção dos domingos), e aos poucos estou colocando minhas leituras em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumão acrítico dos últimos dias: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo li três &lt;i&gt;Piauís &lt;/i&gt;que estavam atrasadas, a última &lt;i&gt;Serrote&lt;/i&gt;, o livro &lt;i&gt;Ideias noturnas&lt;/i&gt;, do Eduardo Sabino, já resenhado aqui na semana passada, o &lt;i&gt;S. Bernardo&lt;/i&gt; do Graciliano e uma coletânea de contos da Índigo &lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:"Cambria Math";	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;	mso-font-charset:1;	mso-generic-font-family:roman;	mso-font-format:other;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;}@font-face	{font-family:Calibri;	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:swiss;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-unhide:no;	mso-style-qformat:yes;	mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	text-align:justify;	text-indent:35.45pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:11.0pt;	font-family:"Arial","sans-serif";	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-fareast-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;	mso-fareast-language:EN-US;}.MsoChpDefault	{mso-style-type:export-only;	mso-default-props:yes;	mso-ascii-font-family:Arial;	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-fareast-theme-font:minor-latin;	mso-hansi-font-family:Arial;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;	mso-fareast-language:EN-US;}.MsoPapDefault	{mso-style-type:export-only;	text-align:justify;	text-indent:35.45pt;}@page Section1	{size:595.3pt 841.9pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:35.4pt;	mso-footer-margin:35.4pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;‒ além do maior desafio, terminei a leitura completa da Bíblia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminei o curso de Criação Literária, coordenado pelo Nelson de Oliveira e pelo Claudio Brites, e comecei o concorrido curso de História da Arte com o Rodrigo Naves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui ver a exposição do Rubens e seu ateliê de gravuras, fui ver a exposição da Anna Mariani no IMS, fui ver os cartazes russos no Tomie Ohtake, mas nada supera a experiência surreal de sábado, quando fui comprar um mero estojo na 25 de Março.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi Hitchcock, vi Godard (???), mas só em casa, ainda acho o cinema muito caro em São Paulo. Comprei alguns ingressos de teatro para as próximas semanas (&lt;i&gt;Policarpo Quaresma&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Lamartine Babo &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;Rebu&lt;/i&gt;, todos no Sesc). Fui nadar depois de meses de sedentarismo com colesterol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi todos os países perderem a Copa para a Espanha. Voltei a dar as caras aqui no blogue e no Twitter.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;E comi muita pizza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é pouco para um ex-indisciplinado como eu.&lt;br /&gt;&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:"Cambria Math";	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;	mso-font-charset:1;	mso-generic-font-family:roman;	mso-font-format:other;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;}@font-face	{font-family:Calibri;	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:swiss;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-unhide:no;	mso-style-qformat:yes;	mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	text-align:justify;	text-indent:35.45pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:11.0pt;	font-family:"Arial","sans-serif";	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-fareast-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;	mso-fareast-language:EN-US;}.MsoChpDefault	{mso-style-type:export-only;	mso-default-props:yes;	mso-ascii-font-family:Arial;	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-fareast-theme-font:minor-latin;	mso-hansi-font-family:Arial;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;	mso-fareast-language:EN-US;}.MsoPapDefault	{mso-style-type:export-only;	text-align:justify;	text-indent:35.45pt;}@page Section1	{size:595.3pt 841.9pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:35.4pt;	mso-footer-margin:35.4pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-3901025071228563296?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/3901025071228563296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/07/voltando-ativa.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3901025071228563296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3901025071228563296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/07/voltando-ativa.html' title='Voltando à ativa'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-8599357313828759949</id><published>2010-07-08T09:06:00.000-03:00</published><updated>2010-07-08T09:06:49.318-03:00</updated><title type='text'>Eu fiz. Vale a pena</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/TDW_MoPpZFI/AAAAAAAAAGk/DdfEDBAtAT4/s1600/PCL_banner2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/TDW_MoPpZFI/AAAAAAAAAGk/DdfEDBAtAT4/s320/PCL_banner2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-8599357313828759949?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/8599357313828759949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/07/eu-fiz-vale-pena.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/8599357313828759949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/8599357313828759949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/07/eu-fiz-vale-pena.html' title='Eu fiz. Vale a pena'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/TDW_MoPpZFI/AAAAAAAAAGk/DdfEDBAtAT4/s72-c/PCL_banner2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-3033996247475873431</id><published>2010-07-07T10:18:00.003-03:00</published><updated>2010-07-08T09:08:59.466-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Avisos e dicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos e Letras'/><title type='text'>Ideias noturnas: sobre a grandeza dos dias</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Depois de vários meses, finalmente tive tempo de voltar a me dedicar à leitura atenta de um bom livro. É uma vergonha confessar isso, mas tenho trabalhado tanto, tenho revisado tantos livros, que não me sobra tempo para simplesmente ler (com exceção da Bíblia, que leio todos os dias, e de jornais e revistas).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Pois agora li de cabo a rabo o primeiro livro do Eduardo Sabino, &lt;i&gt;Ideias noturnas: sobre a grandeza dos dias&lt;/i&gt;. Já conhecia os contos e ensaios do Sabino publicados no Caos e Letras, por isso não fiquei surpreso com a qualidade dessa coletânea de contos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Qualidade que já começa no título e no subtítulo (principalmente o subtítulo, ao mesmo tempo filosófico e irônico). Aliás, eu, como escritor, invejo a capacidade que o Sabino tem de criar títulos para os contos, daquele tipo que, sem revelar demais, vai muito além de uma mera síntese do texto, mas que o define perfeitamente e às vezes até nos deixa na dúvida sobre o sentido exato. Exemplos de ótimos títulos desse livro: &lt;i&gt;Doce lar&lt;/i&gt; (sobre uma família que mora numa casa dominada pelas baratas), &lt;i&gt;Céu aberto&lt;/i&gt; (um casal que salta de paraquedas tentando fugir do vazio de seu relacionamento), &lt;i&gt;Invasão&lt;/i&gt; (outro casal, dessa vez sonhando com o condomínio onde vão morar, longe de mendigos e de si mesmos), &lt;i&gt;Purgatório &lt;/i&gt;(sobre um ascensorista apaixonado que só entrevê seu amor no vão efêmero do elevador), &lt;i&gt;Passageira&lt;/i&gt; (um homem encontra a mulher de sua vida dentro do ônibus), &lt;i&gt;Gana&lt;/i&gt; (sob a chuva, vários personagens se espremem para matar a fome sob o olhar de um garoto de rua) e tantos outros.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Os contos são sucintos, falam tudo em poucas páginas. A maioria deles tem uma pegada realista, mas com um pé na fantasia, na fábula, no absurdo. São inquietantes, porque esse absurdo presente nos textos é o da nossa vida, da família moderna, do individualismo de hoje em dia, da injustiça social. As relações humanas estão enfraquecidas dentro da própria família (&lt;i&gt;Doce lar&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Abismo&lt;/i&gt;...), nas paixões e romances (&lt;i&gt;Céu&lt;/i&gt;&lt;i&gt;aberto&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Invasão&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Passageira&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Oferta&lt;/i&gt;...), na sociedade egoísta ou alienada (&lt;i&gt;Gana&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Banzo&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Invasão&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Gênesis&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Sonho &lt;/i&gt;&lt;i&gt;mudo&lt;/i&gt;...). Mas há principalmente (e em todos os contos) a angústia dos personagens e do narrador solitários, que ora buscam a solidão e o afastamento de outros seres humanos, ora querem fugir dela, mas são impossibilitados pela falta de comunicação e de relacionamentos verdadeiros. Essa é a vida nas metrópoles hoje em dia, mas não só nelas, porque o ser humano, em qualquer lugar do mundo, será perseguido por essa angústia (Em &lt;i&gt;O inquilino&lt;/i&gt;, um jacaré vai fazer companhia a um caçador solitário, e em &lt;i&gt;Abismo&lt;/i&gt; um camponês, depois de a mulher ter fugido, só tem a companhia da voz da filha, vinda do abismo onde ele próprio a jogou). Sempre achei que um texto narrativo (seja ele um conto, uma crônica, um romance etc.) se sustenta mais pela presença de personagens bem construídos e densos do que pelo enredo em si. E nisso o Sabino se saiu muito bem.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;A ironia também é uma constante nos contos e já dá as caras no primeiro do livro, &lt;i&gt;Doce lar&lt;/i&gt;. O mais irônico talvez seja &lt;i&gt;Eternas angústias de um imortal&lt;/i&gt;, com um personagem que "vasculhara o mundo em busca de um sentido para sua perpetuidade". A cena dos namorados que atiram pedras na lagoa cria uma espécie de nostalgia ao contrário, em que os bons momentos (vividos pelo outro) se tornam um estorvo eterno, porque inacessíveis ao imortal. Aliás, este é um dos melhores contos do livro. Essa cena da lagoa também traz à tona a mesma sensação de falsa felicidade presente em outros contos (como em &lt;i&gt;Abismo&lt;/i&gt; e em &lt;i&gt;Felicidade&lt;/i&gt;, no qual um autor de autoajuda tem que forjar seu próprio bem-estar para poder vender seus livros), falsa por ser fingida, comprada ou apenas imaginada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Há inúmeros exemplos de outras cenas bem construídas (&lt;i&gt;Gana&lt;/i&gt; tem belas descrições e diálogos), de ótimas frases ("O corpo, onde Henrique deslizava seus medos", em &lt;i&gt;O vírus&lt;/i&gt;),&amp;nbsp;de linguagem leve e fluida (a pegada de crônica de &lt;i&gt;O herói e o escuro&lt;/i&gt; me agradou bastante desde a primeira frase: "Eu tinha 14 anos de idade, mas algumas coisas o tempo não apaga"), de histórias intrigantes (a princípio, eu tinha achado óbvio demais o desfecho de &lt;i&gt;A outra face&lt;/i&gt;, sobre a morte de uma cardíaca atacada por demônios, mas depois entendi que o propósito não era manter um mistério sobre a morte da protagonista, e sim criar um perfil dúbio da enfermeira, deixando o leitor em dúvida sobre o caráter angelical/demoníaco dessa personagem); no entanto, é em &lt;i&gt;Céu aberto&lt;/i&gt; que Sabino encontra mais domínio sobre a linguagem, com palavras precisas e imagens ricas, e neste conto continua a angústia do homem que se sente eternamente solitário, mesmo quando acompanhado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Adoro a mistura de fantasia e realidade presente nos contos. Em &lt;i&gt;Gana&lt;/i&gt;, há realismo puro, mas com um toque de milagre; em&amp;nbsp;&lt;i&gt;Oferta&lt;/i&gt;, a fantasia que se promete está apenas na cabeça do personagem, pois no final a história retorna para a vida real; &lt;i&gt;Eternas angústias de um imortal&lt;/i&gt; é fantasioso, mas mais real do que a gente quer acreditar; em &lt;i&gt;O inquilino&lt;/i&gt; há a loucura. Na maioria dos textos o leitor fica em dúvida se aquilo é real ou não, e essa questão é essencial para a literatura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Só não gostei de &lt;i&gt;O jardim encantado&lt;/i&gt;. É inferior aos outros textos, com um toque de autoajuda no final que não tem nada a ver com as ideias noturnas do restante do livro. Mas os outros 21 contos nos colocam em nosso devido lugar: numa realidade absurda e mesquinha em que as pessoas jogam as outras no abismo ou pagam um cachorro-quente a um garoto apenas para se verem livres do olhar faminto ‒ atos que as fazem mergulhar ainda mais na angústia e na solidão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Enfim, por tudo que apontei acima, adorei o &lt;i&gt;Ideias noturnas&lt;/i&gt;. Há crítica social, há fantasia, há loucura, há metalinguagem, aspectos que aprecio num livro de ficção. Mas, acima de tudo, há literatura. E ponto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-3033996247475873431?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/3033996247475873431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/07/ideias-noturnas-sobre-grandeza-dos-dias.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3033996247475873431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3033996247475873431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/07/ideias-noturnas-sobre-grandeza-dos-dias.html' title='Ideias noturnas: sobre a grandeza dos dias'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-7263521247458349374</id><published>2010-05-14T22:57:00.000-03:00</published><updated>2010-05-14T22:57:23.179-03:00</updated><title type='text'>Zumbi</title><content type='html'>PNLEM! PNLEM! PNLEM! PNLEM! &lt;br /&gt;Parece um sino. Martelando na mente.&lt;br /&gt;Depois de meses revisando e revisando exatas, tudo ficou pronto. Sem direito a sono maior que três horas diárias e comendo Big Mac no segundo domingo de maio. A alforria foi assinada hoje de manhã. Agora é preparar-se para o próximo PNLD.&lt;br /&gt;Estou de volta à ativa. Para felicidade dos milhões de assíduos leitores deste blogue.&lt;br /&gt;Depois que eu conseguir dormir um pouco, mas já emendando a Virada Cultural, volto a dar as caras por aqui, no Twitter, na pizzaria da rua de cima, no curso de criação literária, na minha casa.&lt;br /&gt;E tome último capítulo da novela. Nossa, vocês viram que a personagem da Alinne Moraes foi parar na cadeira de rodas!? Coitadinha da menina! E tome seção mundo cão com João Carlos Martins.&lt;br /&gt;Preciso me recuperar da overdose de cafeína misturada com Arrebite. Chega. Todo ser humano deve ter direito ao mínimo de seis horas diárias de sono.&lt;br /&gt;Volto depois da madrugada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-7263521247458349374?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/7263521247458349374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/05/zumbi.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7263521247458349374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7263521247458349374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/05/zumbi.html' title='Zumbi'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-3367517749603776065</id><published>2010-04-16T09:48:00.001-03:00</published><updated>2010-04-16T09:51:13.560-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>Homenagem a Maiakóvski</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NJqSNEx4_Fg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/NJqSNEx4_Fg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-3367517749603776065?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/3367517749603776065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/04/homenagem-maiakovski.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3367517749603776065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3367517749603776065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/04/homenagem-maiakovski.html' title='Homenagem a Maiakóvski'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-4743464066940312624</id><published>2010-03-30T09:06:00.000-03:00</published><updated>2010-03-30T09:06:25.440-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Avisos e dicas'/><title type='text'>Divulgando...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S7HpKORzygI/AAAAAAAAAGc/uzXaPR6HQgg/s1600/Folder_III.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S7HpKORzygI/AAAAAAAAAGc/uzXaPR6HQgg/s320/Folder_III.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-4743464066940312624?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/4743464066940312624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/03/divulgando.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/4743464066940312624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/4743464066940312624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/03/divulgando.html' title='Divulgando...'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S7HpKORzygI/AAAAAAAAAGc/uzXaPR6HQgg/s72-c/Folder_III.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-3240329314859386000</id><published>2010-03-22T08:57:00.003-03:00</published><updated>2010-03-23T06:45:42.736-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Pietá</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Noite de são João. E eu lá, no útero. Prontinho pra reabrir a madre. Prontinho pra conhecer o apavorado pai (ai, ai, o sexo frágil). Prontinho pra desvendar o continente da mãe. Prontinho pra testemunhar o milagre e ser protagonista do.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Vai nascer. Corre, Alberto. Me leva pro hospital.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Um rojão pro santo. Ou pra mim?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;As ruas tão geladas. As ruas tão daninhas. Não quero sair do meu pote de geleia.  &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Pega as roupas, Alberto. O macacão do Miguelzinho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Um rojão pros pais. Dia de festa. O segundo filho. O planejado segundo filho. O planejado último filho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Mais do que dois eu não quero, Alberto. Depois do Miguelzinho chega.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Esses planos dedilhados na calculadora científica. Quero só dois. Quero que seja menino. Quero que seja santista. Quero que tenha os olhos do vovô. Quero que seja dentista. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Por que ninguém quer um aleijão, um esquizofrênico, um maldito dum poeta de subúrbio, um bendito dum proxeneta? E se eu nascer sem nariz, ou com um espanador no lugar da orelha, vão me querer mesmo assim? Ou vão jogar seu carneirinho na boca de lobo?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Um rojão pro primogênito. Vai ganhar um irmão pra jogar fubeca. Pra exibir na escola. Pra ensinar palavrão. Pra bater. E pra amar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Não esquece de buscar o Cacá na casa da minha mãe. Ele vai ficar tão feliz!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Legal já ter um irmão pronto, sem a agonia de ver o danado espigar na barriga da mãe. É bom ser o caçula, o coitadinho. Decidi que nunca vou comer brócolis nem lavar a louça.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Um rojão pro obstetra. Nome mais obsceno. Eu queria sair da toca pelos dedos de cebola da dona Inácia. Sentir a tesoura banguela da dona Inácia. Não gosto do bafo de creolina que sai das consoantes do obstetra.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Vai dar tudo certo, Alberto. Vai tudo certo, né, doutor? &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Um rojão pra lua, um rojão pro caminhão de lixo, um rojão pras formigas rodeando a defunta borboleta, um rojão pra loirinha na janela esperando o lobisomem. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Eu no útero. Esperando a hora. Já quero nascer de tatuagem. Tatuagem de dragão, pra apavorar as meninas do berçário. Não vou ser moleza, não. Tô louco pra sair desse pote de geleia vencida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Tô louco pra sair, tô louco pra ficar  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Vamos lá. Eu confio no senhor, doutor. E para de fumar, Alberto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;i&gt;Coro de rojões: &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Chegou a hora! Vai nascer! Um viva para todas as famílias felizes! &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Um rojão especial para a senhora vida!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span xmlns=""&gt;(para a vida que deu o cano. para a vida que mandou outra no lugar. que fez o pai chorar, mas de tristeza. que fez a mãe sangrar pelo desavesso)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span xmlns=""&gt;E eu lá, fora do útero. Longe do pote de geleia de são João. Recém-morrido. As mordidas das formigas não doem. Elas só querem a geleia. Estou surdo. O espanador me impede de ouvir as desculpas do obstetra. Tenho frio. E uma baita vontade de dizer para a menina da janela que o lobisomem não vem, o príncipe não vem. Ainda se fosse carnuda...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;O último rojão. O primeiro rojão. Pro milagre adiado. Três anos depois, o choro do bebê calou a voz aleijada. Calou a voz abortada no fundo da boca de lobo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Um rojão pro segundo filho. O planejado segundo filho. O planejado último filho. O esperado. O de olhos azuis. O futuro dentista. O santista. O perfeito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;Ainda bem que o outro morreu, né, Alberto? Olha essa coisinha linda da mamãe!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span xmlns=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-3240329314859386000?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/3240329314859386000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/03/pieta.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3240329314859386000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3240329314859386000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/03/pieta.html' title='Pietá'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-339233386174471981</id><published>2010-02-09T07:41:00.001-02:00</published><updated>2010-02-09T07:44:12.490-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagem'/><title type='text'>Adeus ao sertanejo</title><content type='html'>Os cariocas sempre celebraram e reverenciaram, com toda a justiça, seus grandes sambistas, para o bem da música. Eu não entendo por que nós, paulistas, não fazemos o mesmo com os cantores e compositores que cantam nossas origens, nossas raízes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raízes... A música sertaneja, a legítima, que louva a terra e a vida no campo, é hoje chamada de música de raiz para ser diferenciada do que fazem esses atuais cantorzinhos bombados vestidos de caubói que se autointitulam sertanejos. Esses falsos sertanejos fazem muito mais sucesso do que os saudosos violeiros, e são ouvidos em altos volumes até na desenvolvida capital do estado, que de tão industrializada parece ter vergonha do seu passado provinciano. Garanto que poucos paulistanos conhecem "Cafezal em flor", na voz de Cascatinha e Inhana, embora todos tenham orgulho da riqueza provinda do período cafeeiro. E muitos menos paulistanos devem saber que o compositor de "Cafezal em flor" é Luiz Carlos Paraná, que foi parceiro, entre outros, de Paulo Vanzolini e que também morou no Rio e dividiu quarto de pensão com um certo João Gilberto. Uau, então esse cara é bom!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é para falar dele que estou escrevendo este texto. É para lamentar a perda do Pena Branca, o viúvo do Xavantinho. Morreu na noite de ontem. Com ele, enterra-se uma das melhores duplas sertanejas desta terra, que flertava inclusive com a MPB, mas que não punha o pé fora do estribo da música de raiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue aqui um vídeo (dos poucos que há da dupla no Youtube) de "Cálix Bento", para juntarmos o choro da nossa voz nesta triste manhã com a comovente voz de Pena Branca e Xavantinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zd1pvijIkxU&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/zd1pvijIkxU&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-339233386174471981?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/339233386174471981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/02/adeus-ao-sertanejo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/339233386174471981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/339233386174471981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/02/adeus-ao-sertanejo.html' title='Adeus ao sertanejo'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-6391224231706887656</id><published>2010-01-28T12:49:00.000-02:00</published><updated>2010-01-28T12:49:41.396-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos e Letras'/><title type='text'>O osso da bisteca</title><content type='html'>Uma nova crônica minha foi publicada hoje no &lt;a href="http://caoseletras.blogspot.com/"&gt;Caos e Letras&lt;/a&gt;. Se você quiser conhecer um pouco mais sobre a famosíssima bisteca do boteco do Pereira e sobre os estranhos frequentadores de lá, é só clicar no nome do site acima ou no título a seguir. Aí você vai saber como é levar a vida &lt;a href="http://caoseletras.blogspot.com/2010/01/roendo-o-osso.html"&gt;Roendo o Osso&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-6391224231706887656?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/6391224231706887656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/01/o-osso-da-bisteca.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/6391224231706887656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/6391224231706887656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/01/o-osso-da-bisteca.html' title='O osso da bisteca'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-6899187998044544518</id><published>2010-01-19T07:32:00.002-02:00</published><updated>2010-01-20T11:20:49.885-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>É preciso gritar e correr, socorrer o luar</title><content type='html'>Não canso de ouvir "Imagina". É a última faixa do último disco do Chico, que, apesar de muita gente torcer o nariz, é um baita disco. Neste vídeo, a parceira na voz é Paula Morelenbaum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não vem que não tem, o Chico é o cara (é claro, com toda a reverência ao mestre Tom).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/AImlTwPvfpg&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/AImlTwPvfpg&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-6899187998044544518?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/6899187998044544518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/01/e-preciso-gritar-e-correr-socorrer-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/6899187998044544518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/6899187998044544518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/01/e-preciso-gritar-e-correr-socorrer-o.html' title='É preciso gritar e correr, socorrer o luar'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-4018329874414490759</id><published>2010-01-18T09:27:00.003-02:00</published><updated>2010-01-18T09:30:13.362-02:00</updated><title type='text'>2010</title><content type='html'>Hoje, enfim, o ano começa pra valer. Não que eu estivesse de folga nas duas primeiras semanas. Muito pelo contrário, trabalhei em dobro neste início de ano, fazendo meus frilas (inclusive nos dias de festa, entre um gole e outro de Veuve Clicquot degustado no copo de requeijão) e ralando meio período lá na editora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estou mais tranquilo, com a manhã livre para escrever e ler mais. Na verdade esta é minha meta: escrever mais e revisar menos. Se quero ser escritor, preciso escrever. Tenho que começar meu romance, que já está esboçado em minha cabeça, e aproveitar a orientação e os conselhos do grande Nelson de Oliveira. Tenho que usar mais o Twitter, que em muitos casos se mostrou bem mais útil do que Orkut ou qualquer rede estúpida de relacionamentos. Tenho que fazer quinzenalmente textos inéditos para o &lt;a href="http://caoseletras.blogspot.com/"&gt;Caos e Letras&lt;/a&gt;, que a cada dia recebe colaborações de grande qualidade. E tenho que rabiscar mais aqui no Trilhos, antes que o trem da preguiça me esmague e que os meus raros leitores abandonem o vagão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, que venha 2010, com muitos textos para vocês lerem por aqui e no &lt;a href="http://caoseletras.blogspot.com/"&gt;Caos&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-4018329874414490759?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/4018329874414490759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/01/2100.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/4018329874414490759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/4018329874414490759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/01/2100.html' title='2010'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-3977490318223857424</id><published>2010-01-07T21:52:00.001-02:00</published><updated>2010-01-07T21:55:30.119-02:00</updated><title type='text'>SOS Paraitinga</title><content type='html'>&lt;a href="http://raftingbrasil.com/" target="_blank"&gt;&lt;img alt="" height="150" src="http://raftingbrasil.com/images/stories/sos.gif" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-3977490318223857424?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/3977490318223857424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/01/sos-sao-luiz-do-paraitinga.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3977490318223857424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3977490318223857424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2010/01/sos-sao-luiz-do-paraitinga.html' title='SOS Paraitinga'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-8038095175347691796</id><published>2009-12-21T11:20:00.000-02:00</published><updated>2009-12-21T11:20:49.373-02:00</updated><title type='text'>Retrospectiva</title><content type='html'>Depois do cagaço do Palmeiras no final do campeonato, a retrospectiva de 2009 que eu ia postar neste blogue está cancelada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-8038095175347691796?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/8038095175347691796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/12/retrospectiva.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/8038095175347691796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/8038095175347691796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/12/retrospectiva.html' title='Retrospectiva'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-5346295236102888286</id><published>2009-12-11T09:08:00.002-02:00</published><updated>2009-12-11T09:09:31.801-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>O dilúvio</title><content type='html'>&lt;span xmlns=''&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:12pt'&gt;No ponto de ônibus, nem sinal do 7282. Devia estar enroscado em algum canto do Parque Continental ou boiando junto com as melancias da Ceagesp, lá pelos lados da Gastão Vidigal. A chuva mais uma vez não perdoou os paulistanos e impediu muita gente, como eu, de chegar ao trabalho. Era melhor voltar para casa e ligar para a chefe avisando que seria impossível aportar no escritório, acrescentando um quase sincero pedido de desculpas por faltar ao serviço. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:12pt'&gt;Eu já estava abrindo o guarda-chuva para ir embora quando percebi a moça ao meu lado. Morena, cabelos escorridos. Ela chorava, enquanto cochichava no ouvido do celular. Como pude ter ignorado aquela pessoa, que chamava a atenção justamente por usar o aparelhinho de maneira tão discreta, numa época em que todo mundo pensa que celular é megafone e passa a gritar todos os detalhes de sua vida íntima para quem quiser ouvir? É claro que, para um escritor, é bastante instrutivo e inspirador ouvir o modo como as pessoas se expressam, observar gestos, captar aqui e ali uma frase do tipo "Meu pai não foi no casamento da Tânia porque ficou com o papagaio", imaginar histórias e criar personagens verossímeis. Mas chega uma hora em que a gente quer sossego e não tem o menor interesse em saber que uma das peruas do banco de trás passou a comprar uma nova marca de absorvente por ser mais confortável.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:12pt'&gt;Talvez por isso a moça que chorava fosse tão encantadora. Era discreta na sua conversa, apesar de o choro não ser nada contido ‒ ao contrário, ele corria desembestado, sem vergonha de demonstrar toda a tristeza daquela alma. Seriam aquelas lágrimas as causadoras da inundação de São Paulo? Pensei na saudosa viola que declamava: "O rio de Piracicaba vai jogar água pra fora quando chegar a água dos olhos de alguém que chora". Cheguei a levantar as mãos para pedir que a moça parasse, e quase ordenei que não chorasse mais, mas percebi que São Paulo e o Tietê zombariam de meu romantismo e de minha ingenuidade de interiorano. Além disso, não achei justo interromper um choro tão exuberante.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:12pt'&gt;Aguardei mais alguns minutos, olhando de vez em quando para o final da rua, só para disfarçar certa preocupação com a chegada do ônibus. Meu interesse, porém, era unicamente a moça que chorava. Qual o motivo de tantas lágrimas? Uma briga com o namorado é sempre a primeira hipótese no caso de alguém daquela idade. Mas a conversa tão discreta e delicada ao celular não denunciava qualquer sinal de briga. Era algo mais profundo. A morte de um parente? Do cachorrinho de estimação? A reprovação em alguma matéria da faculdade? A chuva a estava impedindo de participar de uma entrevista de emprego? A melhor amiga estava muito doente? O irmão mais velho e querido havia se mudado para o exterior? Não era possível reconhecer nada naquele rosto de cerca de vinte anos. Ah, por que os jovens são tão indecifráveis? &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:12pt'&gt;Eu fazia mil conjecturas no momento em que ouvi um motor conhecido. Meu ônibus se aproximava, e eu, mesmo sem saber o que fazer da vida ‒ tentar chegar ao trabalho, voltar para casa ou ficar ali observando a cena ‒, acabei dando um sinal automático e embarquei. Fiquei sem resposta para minha dúvida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:12pt'&gt;Dentro do veículo, ainda olhei pela janela e vi pela última vez a moça que chorava. Ela acabava de guardar o celular na bolsa e levantar o rosto para o céu. As lágrimas continuavam a cair. Em meio ao vermelho das órbitas e ao cinza do dia, os olhos verdes se destacavam. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style='font-family:Times New Roman; font-size:12pt'&gt;Tenho certeza de que nunca mais a verei. Em São Paulo, as pessoas chegam e desaparecem como as águas da enxurrada e as promessas dos políticos. E mesmo o choro delas acaba se dissipando tão depressa quanto as nuvens de dezembro, e é tão efêmero quanto as palavras desta crônica. Parece que todos, mesmo na infelicidade, têm vergonha das próprias lágrimas. Infelizmente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-5346295236102888286?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/5346295236102888286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/12/o-diluvio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5346295236102888286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5346295236102888286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/12/o-diluvio.html' title='O dilúvio'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-6774711854399697214</id><published>2009-11-27T10:07:00.005-02:00</published><updated>2009-11-27T10:10:25.410-02:00</updated><title type='text'>Feira da Usp</title><content type='html'>&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:"Cambria Math";	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;	mso-font-charset:1;	mso-generic-font-family:roman;	mso-font-format:other;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;}@font-face	{font-family:Calibri;	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:swiss;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-unhide:no;	mso-style-qformat:yes;	mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	text-align:justify;	text-indent:35.45pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:11.0pt;	font-family:"Arial","sans-serif";	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-fareast-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;	mso-fareast-language:EN-US;}p	{mso-style-noshow:yes;	mso-style-priority:99;	mso-margin-top-alt:auto;	margin-right:0cm;	mso-margin-bottom-alt:auto;	margin-left:0cm;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman","serif";	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}.MsoChpDefault	{mso-style-type:export-only;	mso-default-props:yes;	mso-ascii-font-family:Arial;	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-fareast-theme-font:minor-latin;	mso-hansi-font-family:Arial;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;	mso-fareast-language:EN-US;}.MsoPapDefault	{mso-style-type:export-only;	text-align:justify;	text-indent:35.45pt;}@page Section1	{size:612.0pt 792.0pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:36.0pt;	mso-footer-margin:36.0pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  Hoje é o último dia da Feira da Usp. Eu já fui e fiz minhas comprinhas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Cesare Pavese, &lt;i&gt;Trabalhar cansa&lt;/i&gt;, 7 Letras/CosacNaify&lt;br /&gt;‒ João Antônio, &lt;i&gt;Malagueta, perus e bacanaço&lt;/i&gt;, CosacNaify&lt;br /&gt;‒ Arthur Nestrovski, &lt;i&gt;Bichos que existem e bichos que não existem&lt;/i&gt;, CosacNaify&lt;br /&gt;‒ Atiq Rahimi, &lt;i&gt;Syngué sabour, Pedra-de-paciência&lt;/i&gt;, Estação Liberdade&lt;br /&gt;‒ Proust, &lt;i&gt;O caminho de Guermantes&lt;/i&gt;, Globo&lt;br /&gt;‒ Alice Ruiz, &lt;i&gt;Dois em um&lt;/i&gt;, Iluminuras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários outros eu deixei lá com dor no coração, mas estou sem tempo, sem dinheiro e sem estante suficiente para tudo. Ficam para o ano que vem.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-6774711854399697214?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/6774711854399697214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/11/feira-da-usp.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/6774711854399697214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/6774711854399697214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/11/feira-da-usp.html' title='Feira da Usp'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-8798674398348852528</id><published>2009-11-11T10:04:00.000-02:00</published><updated>2009-11-11T10:04:55.999-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Xadrez da morte</title><content type='html'>Ao entrar no &lt;a href="http://www.cantinaepizzariapiolin.com.br/"&gt;Piolin&lt;/a&gt;, estranhei que o &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mar%C3%A7al_Aquino"&gt;Marçal Aquino&lt;/a&gt; não estava sentado à mesa habitual, em frente à janela que permite uma boa visão da eclética turba noturna do Baixo Augusta, de onde ele adorava observar as pessoas e se inspirar para criar seus personagens. A princípio achei que ele ainda não houvesse chegado, mas logo o avistei no fim do corredor, um tanto soturno, meio escondido em uma mesa do canto. Depois dos apertos de mão, dos tapinhas nas costas, dos tudo-bens e de todos esses etcéteras da convivência humana, sentei e percebi que ele já estava na segunda dose de cachaça. Parecia muito perturbado, nervoso por algum motivo que eu não suspeitava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até fazermos o pedido, falou muito pouco, nem sequer comentou sobre algum dos escritores russos que ele sempre estava lendo. Tomamos uma cerveja, duas. Silêncio. Realmente algo estava muito errado, eu nunca o vira assim. O Marçal sempre foi bem-humorado. Será que estava bravo por eu ter chegado atrasado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora em que o prato foi servido, perguntei se ele estava bem e por que havia me convidado assim tão em cima da hora para ir jantar lá. Ele só me olhou estranho e perguntou: "Você ainda faz traduções do sueco?" Respondi que sim, que aquele era meu meio de sobrevivência. Então me encarou, tomou coragem e tirou de sua bolsa uma caixa de madeira. "Toma. Traduz e me liga assim que terminar." E saiu, olhando para todos os lados, como se temesse estar sendo espionado. Fiquei perplexo, com um fettuccine alfredo inteiro pra devorar sozinho e um misterioso objeto de madeira a me instigar a imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava com muita fome, mas não resisti e abri a caixa, em cuja tampa reconheci alguns caracteres &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Runas"&gt;rúnicos&lt;/a&gt;. Dentro, um livro amarelado. Não tinha capa, já começava com a folha de rosto, onde se liam apenas o título em sueco, &lt;i&gt;Döden Schack&lt;/i&gt;, e o nome do autor, &lt;a href="http://sv.wikipedia.org/wiki/Johannes_Bureus"&gt;Johannes Bureus&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/Svg4C14wuPI/AAAAAAAAAFE/2fvl3BYYdkA/s1600-h/Johannes_Bureus_%281627%29.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/Svg4C14wuPI/AAAAAAAAAFE/2fvl3BYYdkA/s320/Johannes_Bureus_%281627%29.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;Retrato de Johannes Bureus, 1627.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Para mim, aquilo não dizia nada. Eu não conhecia o autor nem a obra. &lt;i&gt;Döden Schack&lt;/i&gt;, numa tradução ao pé da letra, seria &lt;i&gt;O xadrez da morte&lt;/i&gt;. Pensei em folhear aquelas páginas e tentar descobrir alguma informação mais esclarecedora, mas elas estavam tão empoeiradas que fiquei com medo de que o garçom viesse me censurar por sujar a toalha. E como não consigo pensar direito de estômago vazio, decidi jantar primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui muito de acreditar em &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sincronicidade"&gt;sincronicidade&lt;/a&gt; e sempre detestei esse lado quase místico de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carl_Gustav_Jung"&gt;Jung&lt;/a&gt;. Ora, seria muita ingenuidade pensar que certas coincidências do dia a dia pudessem ser algo mais do que coincidências e estar conectadas entre si de maneira acausal segundo certo padrão de acontecimentos significativos. No entanto, tive que mudar de ideia depois que meu celular tocou, na hora em que eu ia começar a comer. Era o &lt;a href="http://www.triplov.com/poesia/Edson-Cruz/index.html"&gt;Edson Cruz&lt;/a&gt;. Havia me ligado para saber se eu tinha lido seu novo poema no &lt;a href="http://sambaquis.blogspot.com/"&gt;Sambaquis&lt;/a&gt;. Encarando o fettuccine e o livro à minha frente, faminto pelo primeiro e intrigado pelo segundo, fui até mal-educado com o Edson e respondi "poesia numa hora dessa, pô!" Sem lhe dar tempo de reagir, fui logo contando do Marçal e do estranhíssimo livro que eu teria que traduzir. Fiquei muito mais confuso quando o Edson, sempre tão sereno e lúcido, me interrompeu e começou a falar atropeladamente sobre o novo poema, &lt;a href="http://sambaquis.blogspot.com/2009/10/sol-negro.html"&gt;"Nuvens negras"&lt;/a&gt;. O tema era a morte, e a imagem que o Edson escolhera para ilustrar o texto era uma cena de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Seventh_Seal"&gt;&lt;i&gt;O sétimo selo&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, filme que o &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ingmar_Bergman"&gt;Ingmar Bergman&lt;/a&gt; havia feito em 1956 depois de ter lido e estudado profundamente o ‒ e o Edson parou para respirar e enfim dizer ‒ &lt;i&gt;Döden Schack&lt;/i&gt;. Não entendi nada. "Que história é essa, Edson?" Ele ficou eufórico e disse que já estava saindo de casa para me encontrar no Piolin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso que dá ter amizade com escritores, pensei, enquanto comia a massa já fria. Um mais esquisito que o outro. O que o Marçal, um cara que sempre escreveu uma prosa mais realista, suburbana, tinha a ver com um livro sueco que, à primeira vista, me parecia sobretudo místico? E o Edson, que foi entrar na história só por ter ilustrado um poema com uma imagem do &lt;i&gt;Sétimo selo&lt;/i&gt;? Nada daquilo fazia sentido. Era melhor eu esperar aquele doido chegar para me esclarecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Edson demorou mais de uma hora. Disse que precisou fazer umas pesquisas e encontrar uns papéis que guardava havia alguns anos. Jogou uma pasta em cima da mesa e ligou o notebook. Quando ameacei abrir a caixa para lhe mostrar o livro, ele, com um olhar que me pareceu apavorado, disse que não fazia questão de ver o original. Quando a tradução ficasse pronta ele leria, já que não sabia nada de sueco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro ele mostrou uma notícia recortada da Folha de S. Paulo do dia 17 de agosto de 2003. Era sobre a morte de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Haroldo_de_Campos"&gt;Haroldo de Campos&lt;/a&gt;. Trazia apenas a causa da morte ‒ falência múltipla de órgãos ‒, uma breve biografia, as obras mais famosas, comentários de amigos, esse tipo de coisa que sempre vemos no obituário de gente importante. Uma informação estava grifada, acredito que pelo próprio Edson: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-left: 63pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Na noite em que foi levado para o hospital, Campos trabalhava na tradução de um livro escrito em sueco. Nem o livro nem a tradução foram encontrados em sua mesa de trabalho. O irmão Augusto notou apenas uma coisa estranha: sobre a mesa havia um tabuleiro de xadrez, e as peças remanescentes estavam dispostas numa posição que revelava um iminente xeque-mate contra o rei branco.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da pasta, Edson tirou o xerox de um artigo em espanhol escrito por um certo Pierre Menard, sobre "a possibilidade de enriquecer o xadrez eliminando um dos peões de torre". Achei entediante a leitura, até porque o autor, no final, rejeita a própria sugestão. O curioso, no entanto, é um comentário na página 13 que Menard faz do livro &lt;i&gt;El ajedrez de la muerte&lt;/i&gt;&amp;nbsp; ‒ o &lt;i&gt;Döden Schack&lt;/i&gt;. Diz que existia apenas um exemplar em todo o mundo, que circulava somente entre os associados da Ordem dos Enxadristas do Caos. Escrito pelo místico sueco &lt;a href="http://sv.wikipedia.org/wiki/Johannes_Bureus"&gt;Johannes Bureus&lt;/a&gt;, o livro era um tratado sobre como o estudo das runas influenciava o raciocínio dos jogadores de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Chaturanga"&gt;chaturanga&lt;/a&gt;, jogo que deu origem ao xadrez. Mais importante, no entanto, era a descoberta de Bureus: uma jogada conjunta entre o cavalo e o bispo branco cujo movimento final, chamado de &lt;i&gt;dämonem&lt;/i&gt;, seria uma espécie de anticheque-mate ‒ se a estratégia desse certo, o jogador das peças brancas não só venceria a partida, como também daria cabo do jogador das peças negras: a própria Morte, que se personificaria no corpo do oponente no momento em que a jogada se concretizasse. Neste caso, o enxadrista branco se tornaria imortal. Por outro lado, caso perdesse, seria imediatamente levado pela Morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li aquilo em meio a alguns copos de cerveja, para tentar me convencer de que tudo era mesmo verdade. Como eu parecia incrédulo, o Edson me mostrou um vídeo na internet, um depoimento de Bergman a respeito dessa obra. O cineasta deixa claro que Johannes Thomae Agrivillensis Bureus e seu &lt;i&gt;Döden Schack&lt;/i&gt; realmente existiram, e que ele próprio, Bergman, se inspirou no livro para compor o personagem da Morte em &lt;i&gt;O sétimo selo&lt;/i&gt;. Ele confessa que só sobreviveu porque jamais foi um bom enxadrista, portanto, não quis arriscar a vida em uma partida com a morte. Mas ele não revela como o livro foi parar em suas mãos ou como seria a jogada final, cujo nome, &lt;i&gt;dämonem&lt;/i&gt;, ele demonstrou por meio de anagramas. Segue abaixo o vídeo para que ninguém tenha dúvidas disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/UHcodzEEhLQ&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/UHcodzEEhLQ&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E então?", me perguntou o Edson. Eu não sabia o que pensar, o que fazer. Tudo era inacreditável demais, mas sem dúvida havia uma relação perfeitamente plausível entre o que disseram Bergman e Menard a respeito de Johannes Bureus. E havia a prova material: a caixa à minha frente. Além disso, acabei me lembrando de um dia em que o Marçal Aquino me havia contado sobre uma visita que tinha feito ao Haroldo de Campos na noite em que o poeta foi para o hospital. Tudo se encaixava. Eu tinha em mãos algo enigmático, porém verdadeiro e valioso. Era minha chance de finalmente aparecer no cenário editorial com uma tradução relevante. Com o incentivo do Edson, peguei a caixa e fui embora, começar logo esse trabalho que me consagraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estou em meu escritório, postando esta mensagem de blog antes de começar a tradução. O livro está aberto sobre a mesa, junto com dicionários, gramáticas, obras de referência. E, é claro, um tabuleiro de xadrez. As peças brancas posicionadas do meu lado. Dentro de algumas horas eu publico o resultado da partida aqui no Trilhos das Letras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-8798674398348852528?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/8798674398348852528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/11/xadrez-da-morte.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/8798674398348852528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/8798674398348852528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/11/xadrez-da-morte.html' title='Xadrez da morte'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/Svg4C14wuPI/AAAAAAAAAFE/2fvl3BYYdkA/s72-c/Johannes_Bureus_%281627%29.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-7627678754569205560</id><published>2009-11-06T07:14:00.003-02:00</published><updated>2009-11-06T07:16:56.300-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Fogo-fátuo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SvPpSUsPT0I/AAAAAAAAAE4/JEgaCy4cTS8/s1600-h/Areinho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SvPpSUsPT0I/AAAAAAAAAE4/JEgaCy4cTS8/s320/Areinho.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Dizem que a arte eterniza. Eterniza a beleza. Eterniza o amor. Eterniza o fugaz afago de um instante. Talvez. Mas e quanto ao sofrimento, ao horror? Será que um artista tem a capacidade ‒ ou o direito ‒ de condensar, numa pincelada rubra, a expressão da perplexidade humana diante da tragédia? E não falo da tragédia heroica, da inexorável desventura greco-latina, da tragédia, enfim, trágica. Falo do olhar de uma mãe defronte ao corpo cadáver do único filho, abatido pela inglória foice suja de merda de uma diarreia. É possível retratar e perpetuar a já infinita dor dessa invertida orfandade? Afinal, quantas são as cores primárias? Apenas três, certo? E as dores primárias, como contabilizá-las? Como encontrar a mistura certa de tintas para pintar a escuridão completa de uma existência incolor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas questões me vêm à mente porque neste momento observo um pintor, com o cavalete montado na margem do rio pelo qual eu passo rumo ao meu destino. Não enxergo sua obra, mas tenho certeza de que me pinta. A cada braçada de meu barqueiro, uma pincelada na tela. Ele me olha, me esquadrinha, e maneja o pincel arrogantemente, como se fosse o próprio Deus dando forma a uma nova criatura. Mas o que sabe ele da minha história? O que enxerga em meu rosto, em minha alma? Será ele onisciente como o criador? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não sabe nada de mim. Aposto que, por conta de meu vestido preto, me toma por uma viúva indefesa e pinta minha face com um tom lívido e angustiado. Idiota. Fraco de espírito, como todos os homens desta terra. Não sabe que é ele próprio o ser humano indefeso da história, disfarçando no vaivém do pincel sua vacilante condição de macho. Assim como certo homem respeitado e venerado desta corte, cujo nome não vem ao caso. Esse senhor também era mestre em manejar o próprio pincel, com o qual me lançou nas entranhas sua espessa tinta. O pincel ‒ instrumento, arma, obelisco, cajado ‒ é o objeto mais poderoso com que o macho conta para impor sua primazia e esconder sua indecente fragilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou grávida. Trago dentro de mim a obra suprema da criação humana e divina. Mais humana ou mais divina? Herege, disseram em coro. Nem o homem nem o Espírito Santo me fizeram conceber. No tribunal, julgaram que o filho que espero vem das trevas, fruto das noites de bruxaria. Do meu pacto com o diabo. Ah, se eles soubessem que esse diabo veste pálio e mitra. Se percebessem no rosto do meu próprio juiz o suor fervente, saturado de pecado e luxúria. Talvez até o saibam. Mas alguém tem que ser condenado pela perdição da humanidade, e nada melhor do que encontrar uma Eva qualquer em quem vestir a mortalha simbólica do primordial pecado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mortalha. Negra como o coração daqueles homens que me condenaram à fogueira. Negra como o riso das mulheres que me atiraram no rosto a maculada pedra da própria virtude corrompida. Negra como o olhar oblíquo do barqueiro encarregado de me transportar pelas águas do Letes até o local onde serei imolada. Negra como o odor dessas flores vermelhas com a qual me coroaram e estigmatizaram. Negra como a tíbia vida que trago em meu útero e que penetrará a noite eterna sem sequer ter conhecido a ofuscante claridade desta vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artista me encara da margem. E sorri, talvez esperando que eu lhe retribua o ato, para que ele possa fazer de mim a sua Monalisa. Ignoro. Pouco me importa se ele vai me retratar como viúva, amante, sonhadora, bruxa, puta. Por mim, pode pintar meu rosto de azul, pode inventar lágrimas pungentes, pode me adornar com asas ou chifres. Será apenas uma imagem, o esboço de uma mulher idealizada. Não serei eu. Aliás, em poucas horas, eu não serei mais. Desaparecerei na pira da insensatez humana, no fogo que ao mesmo tempo forja poetas e destrói a poesia. E dizem que a arte eterniza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-7627678754569205560?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/7627678754569205560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/11/fogo-fatuo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7627678754569205560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7627678754569205560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/11/fogo-fatuo.html' title='Fogo-fátuo'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SvPpSUsPT0I/AAAAAAAAAE4/JEgaCy4cTS8/s72-c/Areinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-4998056554608949144</id><published>2009-10-28T06:26:00.002-02:00</published><updated>2009-10-30T11:25:57.119-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Caos e Letras'/><title type='text'>Novo conto: Libertinagem</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SurpQ6-ZdDI/AAAAAAAAAEw/ziqoQk_8b98/s1600-h/libertinagem.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SurpQ6-ZdDI/AAAAAAAAAEw/ziqoQk_8b98/s320/libertinagem.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Toda semana me queixo aqui que estou sem tempo de escrever. Tenho muito trabalho, mesmo, não é desculpa. De manhã até a noite lutando com as revisões e preparações. Vida de frila é legal, mas a gente trabalha bem mais do que num emprego fixo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas dessa vez vim dizer que tenho um texto novo. Ele não está aqui no blog, mas foi publicado ontem no &lt;a href="http://caoseletras.blogspot.com/"&gt;Caos e Letras&lt;/a&gt;. É um conto chamado &lt;a href="http://caoseletras.blogspot.com/2009/10/libertinagem.html"&gt;Libertinagem&lt;/a&gt;, que, apesar do título, não tem nada a ver com o Bandeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem tiver um tempinho, é só clicar &lt;a href="http://caoseletras.blogspot.com/2009/10/libertinagem.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Um abraço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-4998056554608949144?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/4998056554608949144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/10/novo-conto-libertinagem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/4998056554608949144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/4998056554608949144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/10/novo-conto-libertinagem.html' title='Novo conto: Libertinagem'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SurpQ6-ZdDI/AAAAAAAAAEw/ziqoQk_8b98/s72-c/libertinagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-3135505116491705367</id><published>2009-10-22T13:03:00.001-02:00</published><updated>2009-10-22T13:03:38.421-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Avisos e dicas'/><title type='text'>Concurso para publicação de livros inéditos</title><content type='html'>O governo de São Paulo vai selecionar 35 projetos de livros inéditos para publicação, nos gêneros conto, poesia, romance e novela. Os vencedores vão levar, cada um, 15 mil reais, e as inscrições vão até 1 de dezembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confira aqui o &lt;a href="http://www.cultura.sp.gov.br/StaticFiles/SEC/edital/Edital%20ProaC%2015%20PUBLICACAO%20DE%20LIVROS%20NO%20ESTADO%20DE%20SP%20%20Final.doc"&gt;edital&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-3135505116491705367?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/3135505116491705367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/10/concurso-para-publicacao-de-livros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3135505116491705367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3135505116491705367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/10/concurso-para-publicacao-de-livros.html' title='Concurso para publicação de livros inéditos'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-7308921716730208650</id><published>2009-10-19T20:29:00.000-02:00</published><updated>2009-10-19T20:29:06.013-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Minicontos'/><title type='text'>Acabando (com) Augusto Monterroso</title><content type='html'>Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá. Que chateação. Todos os dias a mesma companhia. O que fazer? Só havia um jeito: acabar com o bicho. Levou a mão ao bolso e sacou a única arma que tinha. Apertou o botão e colocou num canal menos pré-histórico, bem na hora em que o monstrengo ia gritar, pela milionésima vez: "Não é a mamãe!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-7308921716730208650?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/7308921716730208650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/10/acabando-com-augusto-monterroso.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7308921716730208650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7308921716730208650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/10/acabando-com-augusto-monterroso.html' title='Acabando (com) Augusto Monterroso'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-934029326776321785</id><published>2009-10-09T10:44:00.001-03:00</published><updated>2009-10-09T10:44:48.409-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Acerte o bicho</title><content type='html'>&lt;meta content="text/html; 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Estamos começando mais um “Acerte o Bicho”. Neste programa, nós damos algumas dicas, algumas informações sobre um animalzinho escondido. E quem acerta o nome ganha um prêmio-surpresa, que só será revelado no final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá, então? O bichinho desta noite é bem conhecido, apesar de ser uma espécie recente na sauna tupiniquim. O macho desse animal tem uma tonelada de músculos e um vocabulário riquíssimo e eclético, formado por palavras que vão desde neologismos de baixo calão até arcaísmos que remontam à Idade da Pedra, como o grito de guerra “Uhu”. No gênero feminino, apresenta-se no formato curvilíneo e oxigenado e veste calcinhas do tamanho do PIB da Tanzânia, que mal conseguem proteger seu monte Kilimanjaro.&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="margin-left: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Esse animal é bem safadinho e adora se esconder debaixo do cobertor para acasalar. De hábito noturno, é visto diariamente em uma jaula quadrada ligada à corrente elétrica, durante o horário nobre. Está sempre malhando. Às vezes, quando se sente muito bem disposto, consegue simultaneamente malhar e falar besteira (esta última tarefa, diga-se de passagem, ele realiza com perfeição).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alimenta-se, entre uma bebida e outra, de fama e sonhos de grandeza. Algumas espécies sonham em ser estrelas da TV. Outras querem apenas ganhar um milhão e desaparecer (para nossa felicidade). Mas a maioria acaba mesmo é sem nada, inclusive sem roupa, e pode ser vista por aí, pendurada nas paredes das melhores borracharias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ter uma vida útil bastante curta, esse animal está se proliferando pelo Brasil e pelo mundo, e hoje já virou uma praga. Infelizmente esse problema não tem recebido atenção do Ministério do Meio Ambiente, que disse estar mais preocupado com um tipo de perereca que está inviabilizando uma obra do PAC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, já adivinhou de quem estamos falando? Hoje foi fácil, né. Apesar de ninguém querer admitir, todo mundo conhece esse animal. É o participante de reality show! Isso mesmo! E o prêmio desta noite é... uma dúzia de ovos podres! Porque o nome do programa é “Acerte o Bicho”! Se for bem no meio da testa, melhor.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-934029326776321785?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/934029326776321785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/10/acerte-o-bicho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/934029326776321785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/934029326776321785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/10/acerte-o-bicho.html' title='Acerte o bicho'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-543125440274352495</id><published>2009-10-06T10:27:00.002-03:00</published><updated>2009-10-06T10:28:54.837-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Avisos e dicas'/><title type='text'>Encontro com tradutor</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SstFO8SXdjI/AAAAAAAAAEo/r3P6nQxU4u0/s1600-h/Encontro_Fresnot.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SstFO8SXdjI/AAAAAAAAAEo/r3P6nQxU4u0/s400/Encontro_Fresnot.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Divulgando... &lt;br /&gt;Mais um encontro promovido pelo Claudio Brites e pelo pessoal do Espaço Cultural Terracota. Vale a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-543125440274352495?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/543125440274352495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/10/encontro-com-tradutor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/543125440274352495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/543125440274352495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/10/encontro-com-tradutor.html' title='Encontro com tradutor'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SstFO8SXdjI/AAAAAAAAAEo/r3P6nQxU4u0/s72-c/Encontro_Fresnot.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-184245055422465806</id><published>2009-09-29T14:40:00.001-03:00</published><updated>2009-09-29T15:35:59.073-03:00</updated><title type='text'>Nada de novo no front</title><content type='html'>Correria danada nos últimos dias. Se não tenho tempo nem de escrever meros 140 caracteres no Twitter, imagina então como fica a situação deste blog! A única coisa nova que tenho a apresentar já é velha: o miniconto &lt;a href="http://caoseletras.blogspot.com/2009/09/malabares.html"&gt;Malabares&lt;/a&gt;, que modifiquei um pouco e que foi publicado hoje no &lt;a href="http://caoseletras.blogspot.com/"&gt;Caos e Letras&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem estiver procurando algo pra ler e já está cansado de ver os jornais estamparem o chapelão do Zelaya, não custa dar uma lida ou relida no conto (é só clicar no título acima). Os que postarem comentários vão concorrer a uma viagem a Tegucigalpa, com um mês de hospedagem grátis na embaixada do Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-184245055422465806?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/184245055422465806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/nada-de-novo-no-front.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/184245055422465806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/184245055422465806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/nada-de-novo-no-front.html' title='Nada de novo no front'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-2749483755898256709</id><published>2009-09-22T10:14:00.006-03:00</published><updated>2009-09-25T15:27:02.587-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Despertar</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Hoje acordei tão ontem!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Perdi a noção das horas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;E do homem que já fui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Acordei tão eles. Tão vocês.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Venham, vamos voar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ensaiar o passo das nuvens.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Me chamem de vento!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Quero chutar o sol&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;E beber do mar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Hoje acordei antes do dia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Antes dos tempos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ao leste do leste é meu lar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Tenho corpo etéreo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;E alma eterna.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Vivo e desvivo lá e cá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eu sou a brisa de Deus&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O lírio do campo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eu sou a pena do sabiá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-2749483755898256709?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/2749483755898256709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/despertar_22.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/2749483755898256709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/2749483755898256709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/despertar_22.html' title='Despertar'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-3024603022671573470</id><published>2009-09-21T16:47:00.001-03:00</published><updated>2009-09-21T16:48:41.094-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre isso e aquilo'/><title type='text'>Caos e Letras</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SrfYinUOpYI/AAAAAAAAAEg/lPG9m3Eus5Q/s1600-h/caos.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SrfYinUOpYI/AAAAAAAAAEg/lPG9m3Eus5Q/s320/caos.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Fui convidado pelo Eduardo Sabino para ser colunista do Caos e Letras, revista eletrônica que trata de literatura e arte (e política, religião, filosofia...). A equipe de colunistas e colaboradores é muito boa, espero estar à altura deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quiser conhecer, vale a pena. É só clicar: &lt;a href="http://caoseletras.blogspot.com/"&gt;Caos e Letras&lt;/a&gt;. Há um conto e um poema meus lá, mas que já foram publicados aqui (em breve vou postar algo inédito por lá). Então, vale pela oportunidade de conhecer os trabalhos do talentoso time capitaneado pelo Eduardo Sabino. Só pelo nome e pelo sobrenome do cara já dá pra saber que o site é porreta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-3024603022671573470?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/3024603022671573470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/caos-e-letras.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3024603022671573470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3024603022671573470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/caos-e-letras.html' title='Caos e Letras'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SrfYinUOpYI/AAAAAAAAAEg/lPG9m3Eus5Q/s72-c/caos.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-2371018484939416350</id><published>2009-09-16T13:15:00.004-03:00</published><updated>2009-09-16T13:15:54.118-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura infantil e juvenil'/><title type='text'>Sobre pedras</title><content type='html'>Não vendo, não. Nem troco por esse pão seco. Fui eu que roubei, faço o que eu quiser com ele. Acho que vou guardar no bolso, pra admirar de vez em quando. Ou usar. É mesmo, vai pegar mal pôr no dedo um anel com uma pedrona dessas. Vão pensar que sou mulherzinha. Vou só guardar, então, pra de vez em quando dar uma espiada e lembrar o olhar carinhoso da moça que era dona dele. É, carinhoso, e não medroso. Você tá surdo ou o quê? Acha que ninguém pode sentir carinho na hora que tá sendo roubado? Pois ela sentiu. Eu senti que ela sentiu. No começo se assustou, deve ter pensado que eu era bandido. Sou ladrão, é diferente. É claro que é diferente. Bandido faz maldade. Eu só roubo pra comer. Eu sei, eu não comi esse boné aqui. Mas é que achei ele tão bonito, tão bacana, tão, sei lá, vermelho. Você já viu um vermelho tão vermelho? Prefere preto? E eu com isso? Pra você tudo é escuro, você tem ódio de tudo. Desse jeito vai matar alguém só por raiva e acabar na cadeia. Eu prefiro vermelho, tá! É a cor do vestido que minha mãe usava naquela noite, quando saiu de casa. Disse que ia ganhar dinheiro pra me comprar um carrinho. E nunca mais voltou. Sei lá se morreu ou se fugiu com homem. Só sei que fiquei sozinho. Três dias. E não vem tirar sarro, mas eu chorei, sim. Que tem de errado? Só por que você acha que é o dono da rua pensa que não pode chorar? Eu chorei e ainda choro. Sou menino. Dizem que a gente vira homem depois que faz dezoito anos. Então ainda falta um tempão. Até lá, quando eu ficar triste de fome, triste de frio, triste de sozinho, vou abrir o berreiro, mesmo. Não tenho vergonha. Só vou ter vergonha se minha mãe me encontrar aqui, todo sujo. Mas também, é um pouco culpa dela, né. Passei três dias esperando. Quando não tinha mais o que chorar nem o que comer vim pra rua. Foi no ano passado, eu acho. Nossa, faz tão pouco tempo e eu já tô esquecendo a cara da minha mãe. Do vestido eu não esqueço, mas da cara... Será que eu não gosto mais dela? Agora toda vez que penso na minha mãe me vem na frente o rostinho da moça do anel. Bonita igual, só que mais nova. Ah, eu tava falando dela e você veio com a história do boné. Pois é. De tão bonita, tão coradinha, ficou branca de susto quando me viu tirar a faca e pedir a bolsa. Quase se borrou. Abriu a bolsa tremendo, disse que só tinha documento. Eu dei uma olhada, parece que não tinha nada legal, mesmo. Pra que eu ia querer documento de mulher? Aí vi o anel no dedo dela. Uma belezura de pedra verde, maior do que o mar lá da minha terra. Pela hóstia, fiquei bobo de encantado. Até meio desnorteado. Segurei a mão dela por um tempão e só disse “que bonito”. E ela não tirou a mão. Então olhei pra cima e vi que me encarava. Me olhava tão forte que perdi até o jeito. Olhar de mãe. Meigo. Deve ter ficado com pena e pensado “o que um menino como esse tá fazendo na rua?” É, todo mundo acha que por ser loirinho eu devia ter família, casa, uma vida melhor. Vê você, negão desse jeito. De você ninguém tem pena, não, e até atravessam a rua quando trombam contigo. Mas de mim ninguém espera coisa ruim. Só percebem que sou ladrão quando tiro a faca. A moça se assustou no começo, depois ficou me olhando com um zoião mais verde que o anel. E mais brilhante. Só que era um verde triste, doía mais que bordoada de polícia. Quase saí correndo de vergonha, de tristeza, de saudade da mãe, sei lá. Fiquei desenxabido. Larguei a mão dela. Larguei a faca. Larguei minha cara no chão e saí devagar. Parecia que eu tava roubando minha mãezinha. E você não vai acreditar, eu já ia virar a esquina quando ela perguntou “não vai levar o anel?” Voz de anjo. Não sei como eu consegui, mas voltei. Catei o anel, que ela já tinha tirado do dedo, olhei a última vez pra ela e me mandei. Saí correndo. Não queria que ela visse minha cara de cachorro quando ganha um osso. Só ouvi ela gritar “troca por um lanchinho”. Pode? Troco não. Esse anel é meu. Vou guardar bem guardadinho. Sou bobo de vender? O Migué ia me pagar quanto? Três contos, o babaca? Isso não tem preço, é lembrança de anjo, de fada. Ou será que minha mãe morreu, e era o fantasma dela me protegendo? Cruz-credo, não gosto de fantasma, mesmo que seja de mãe ou de criança que não nasceu. Lembra aquele que a gente viu no muro do armazém, carregando um saco cheio de cabeças? Se a gente não tivesse corrido, hoje ele ia ter mais duas cabeças lá dentro. Eu hein. Fantasma é pior que vampiro. Ãh? Como não? Deixa de ser besta. É claro que existe vampiro, todo mundo sabe disso. Fantasma também. Mas ela não era fantasma não, acho que era uma fada. Ou então era gente de carne, mesmo. O Olavo me contou que existe gente boa. Isso eu juro que nunca tinha visto até conhecer a moça. Ela deve ser uma gente boa, sim. E é por isso que não vendo o anel. De jeito nenhum. Ele nem é roubado, se for ver bem. Eu já tinha saído, desistido do roubo. Aí ela me chamou pra entregar o anel. Então é dado. Presente. Será que ela me deu porque gostou de mim? Você sabia que, quando um homem gosta de uma mulher, ou quando casa, ele dá um anel de presente? Já viu casamento? Eu vi o do meu vizinho. Ele botou um anel dourado no dedo da mulher. E ela no dele. Tá certo que depois de uns dias o que ele botou foi um chifrão nela, do tamanho do pé de manga lá do campinho. Mas que a festa foi bonita, foi. Tinha até bolo! O casamento da minha mãe eu não vi, só em fotografia. Ela me mostrou uma foto de um homem de bigode, vestido de branco. Disse que era o meu pai. Eu vou usar bigode. É importante. Queria um bigodão federal igual do meu pai. Quê? Não, não conheci. E minha mãe nunca falava dele. De vez em quando ela levava homem pra casa, e eu sempre achava que era meu pai. Só que toda vez era um diferente. Branco, preto, japa, gordo. Tudo sem bigode. E nem me davam bola. Por isso vou usar bigode só pra me vingar deles, mostrar que sou o bom. Quando eu casar, minha mulher só vai ter eu de homem. E eu só vou ter uma mulher, a mais bonita. Vou chegar do trabalho com roupa branca, maleta e chapéu. E bigode. Limpinho. Ela vai casar de vermelho, com esse anelzão aqui no dedo. Só preciso arrumar um pra mim, porque no casamento homem também usa anel. Bem que aquela moça podia me dar outro igual. Eu até que casava com ela... Ei, Carniça, acorda. Eu não disse que você só pensa em ruindade? É só eu falar de coisa boa que você nem dá atenção, começa a dormir. Eu tava falando que vou casar com a moça do anel. Vou sim. Quê? Sai pra lá. Não vou apostar nada. Você nem tem o que apostar, fora esse pão seco que ganhou ontem e nem teve coragem de comer. Quem aposta come bosta. Sou bobo não. Eu vou casar e pronto, e com a moça do anel. Vai ser a festa mais bonita do mundo. Você vai estar aqui na rua e vai ver eu passar com minha mulher num daqueles carrões de gigante. Já sei! Você vai ser meu padrinho. Vai sim, eu juro. Contanto que não afane o relógio dos convidados. Vou ficar de olho. E você vai comer um pedaço tão grande do meu bolo que nem vai caber nesse seu estômago magrelo. Ah, agora você acordou, né. É só eu falar de comida. Pois vai ter rango e tubaína pra cidade inteira. Você não vai mais querer sair da festa pra rasgar saco de lixo na calçada. A gente vai virar parceiro, mas não de ladroagem. A gente vai é ser advogado, pra defender esse povo daqui, debaixo da ponte. Defender os moleques que apanham do Migué quando não conseguem roubar nada pra pagar o bagulho. É isso aí. Tô cansado do Migué. Você viu a cara dele hoje, quando cheguei com esse anel? Ficou babando na pedra verde, perguntou se eu não queria trocar por outro tipo de pedra. Sai fora, eu disse pra ele, não uso essas coisas não. E ele tentou me tomar o anel, me deu um soco na fuça. O Olavo me protegeu, mas o Migué disse que volta amanhã pra me pegar e pra levar o anel. É por isso que eu vim falar contigo. Vim dizer que tô caindo fora. Tava pensando em ir lá pra onde eu morava, ver se minha mãe voltou. Isso eu tava pensando antes de a gente conversar. Agora mudei de ideia. Eu vou é lá pro bairro dos gringos encontrar a minha noiva. Vou casar ainda hoje. O que você acha? Acha que tô louco, que eu cheirei cola? Já disse, não uso nada disso. Moro na rua, sou ladrão, mas sou de família, viu. Fui até pra escola. E nem vem, não vou cair na do Migué. Trocar essa pedra linda por aquela outra, fedida... Você diz que fumar pedra é bom, que faz a gente viver melhor, faz encontrar nossa mãe. A pinoia! Quando acaba o efeito, você tá sempre na pior, e em vez da mãe quem vem é o Migué ou a polícia descendo o cacete. E você fica com essa cara de lagartixa atropelada. Parece o esqueleto que vi no cemitério outro dia. Se pedra pelo menos matasse a fome, em vez de fazer de conta. Ela vai acabar matando é você mesmo, igual fez com o Pirata. Prefiro a minha pedra verdinha, presa no meu anel de casamento. Quando olho pra ela, vejo a minha noiva, vejo o mar sem fim onde a gente vai morar. Não preciso fumar pra enxergar essas coisas. Olha aqui, dá pra ver até a minha vó contando história de rei. A vó morreu faz tempo, nem lembro dela. Só lembro que ela disse que eu ia ser príncipe, ia casar com uma princesa. Será que é isso, a moça é uma princesa e veio me trazer um anel encantado? Então tenho que correr lá, encontrar com ela, porque ouvi dizer que esse tipo de encantamento acaba meia-noite. Besteira nada. Você é que é um estraga-prazeres e não tem sonho. Eu tenho sonho, sim. A rua não vai ser sempre minha casa. Vou morar na praia, numa mansão, lá perto de onde eu nasci. Com cachorro e tudo, e com um parquinho enorme. Vou virar na roda-gigante, eu e minha mulher. E toda a molecada daqui. Subir, subir, até chegar no céu. Tá bom, vou ficar quieto, porque você tá com sono. Pra falar a verdade, eu também tô um bagaço. Acho que vou deixar pra casar só amanhã, agora é muito tarde e a igreja já fechou. Mas não comi nada hoje, e não consigo dormir com fome. Vou tentar dar uma cochilada, quem sabe eu sonho com o bolo do meu casamento e aproveito pra comer um pedaço. Amanhã cedinho eu vou lá procurar a moça. Então é melhor dormir logo. Nossa, o chão tá mais duro hoje. Me dá um pedaço do seu papelão, que o meu levaram embora. O meu é que era bom, era de caixa de televisão. Minha mãe tinha televisão, sabia? Eu via um montão de filme. Sempre passava um que eu adorava. Tinha um cara forte que batia em todo mundo e no final casava com a mulher mais linda! Igual vou fazer amanhã: dar um murro no Migué e ir lá casar com a minha princesa. Mas ela é mais bonita do que as artistas. Você vai ver, eu vou aparecer na televisão com ela. Tá bom, seu chato. Dorme aí, molão, enquanto eu planejo meu futuro. Ouvi um homem de bigode dizer isso num filme: planejar o futuro. Tão bonito falar assim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carniça! Tá dormindo? Eu só ia te perguntar uma coisa. Rapidinho. É que eu tava pensando... se eu não conseguir encontrar a moça amanhã, você jura que me dá aquele pão seco em troca do anel?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-2371018484939416350?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/2371018484939416350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/sobre-pedras_5873.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/2371018484939416350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/2371018484939416350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/sobre-pedras_5873.html' title='Sobre pedras'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-3841629262015991954</id><published>2009-09-16T07:30:00.000-03:00</published><updated>2009-09-16T07:30:41.063-03:00</updated><title type='text'>Encontro com agente literária</title><content type='html'>Divulgando o encontro com a agente Marisa Moura. Para todos que quiserem conhecer um pouco do mundo editorial.&lt;br /&gt;Aproveitem que é de graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SrC-C7Un4EI/AAAAAAAAAEY/YlfT4QxhX3E/s1600-h/Folder_Encontros_Marisa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SrC-C7Un4EI/AAAAAAAAAEY/YlfT4QxhX3E/s320/Folder_Encontros_Marisa.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-3841629262015991954?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/3841629262015991954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/encontro-com-agente-literaria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3841629262015991954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3841629262015991954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/encontro-com-agente-literaria.html' title='Encontro com agente literária'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SrC-C7Un4EI/AAAAAAAAAEY/YlfT4QxhX3E/s72-c/Folder_Encontros_Marisa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-8108944455975703483</id><published>2009-09-11T09:17:00.003-03:00</published><updated>2009-09-21T08:42:19.580-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre isso e aquilo'/><title type='text'>Cores de domingo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/Sqo-7Yax82I/AAAAAAAAAEQ/7ZFhr0WHUTs/s1600-h/Matisse.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/Sqo-7Yax82I/AAAAAAAAAEQ/7ZFhr0WHUTs/s320/Matisse.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;Interior Amarelo e Azul &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;‒&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt; Matisse &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: center;"&gt;&lt;meta content="text/html; 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Dizem que a arte dela é difícil. Difícil de encarar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, cara de dedo ao passar, impassível, pelas gravuras do português José Pedro Croft. Já as de Fayga Ostrower, densas e sóbrias, começaram a salvar meu dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, a coleção Nemirovski me fez abençoar o modernismo, movimento que, apesar de ser culpado pela futura vinda de muito lixo, também produziu artistas do quilate de Aldo Bonadei e Lasar Segall, entre outos lá expostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No térreo, uma visita ao horror da ditadura: o Memorial da Resistência. As celas escuras do Deops foram abertas ao público. Vídeos com depoimentos de presos e a reprodução de publicações da época são um aviso para que jamais deixemos aquilo acontecer novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma caminhada da Estação até a Pinacoteca valeu cada gota de chuva: como o ingresso de uma valia para a outra, não precisamos pegar a enorme fila da bilheteria para ver o Matisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do &lt;i&gt;fauve &lt;/i&gt;francês, nem tantas obras de destaque. O que não quer dizer que não há obras-primas, que merecem ser vistas e revistas: Natureza Morta com Magnólias, a série Jazz e minha pintura preferida na exposição da Pinacoteca, Interior Amarelo e Azul, reproduzida acima. Perfeito equilíbrio entre as duas cores, acentuado pelos grossos contornos e pela disposição dos temas na tela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o playground colorido e feliz que montaram ao lado de Matisse, com artistas "relacionados" ao mestre, melhor nem comentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos a pé da Luz à Consolação. Céu cinza, prédios pixados e lixo abandonado pela prefeitura em cada canto do centro. Uma pinceladinha do Matisse daria outras cores a São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-8108944455975703483?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/8108944455975703483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/cores-de-domingo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/8108944455975703483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/8108944455975703483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/cores-de-domingo.html' title='Cores de domingo'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/Sqo-7Yax82I/AAAAAAAAAEQ/7ZFhr0WHUTs/s72-c/Matisse.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-5282106992087881641</id><published>2009-09-10T15:06:00.000-03:00</published><updated>2009-09-10T15:06:49.968-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Epitáfio</title><content type='html'>Nunca vou me esquecer do dia em que olhei para o rosto dentro do caixão. Era eu mesmo lá, deitado, sem sequer um travesseirinho, e com um ridículo algodão nas narinas. Calma, leitor. Não vou usar a pérfida artimanha de escritor sem imaginação e, ao final da história, dizer que tudo era sonho. Não quero subestimar sua inteligência. Era eu mesmo ali, mortíssimo, já fedendo, e não era sonho. Tanto era verdade que, se você quiser, posso lhe mostrar os calos na mão que brotaram na hora em que carreguei o caixão. Devia ter feito a dieta do dr. Atkins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morri e, com a ajuda de alguns desconhecidos, enterrei a mim mesmo naquele dia. Foi tranquilo, sem chuva, sem choro. Todas as mortes deveriam ser assim, com o mínimo de drama possível. Eu sei, é fácil dizer isso quando o defunto é um ser imprestável como eu, que não fará falta a ninguém, ainda mais quando ele continua por aí, como um morto vivo de filmes B. E o pior, escrevendo bobagens. Mas não sou um morto vivo (e nem estou querendo parafrasear ou tentar imitar o inimitável colega Brás Cubas). Estou vivo. E talvez, com meu sepultamento, eu tenha enterrado junto o mínimo de verossimilhança que deve haver numa obra literária. E eu com isso? Já morri e continuo vivo. Só esse fato inaudito me exime de dar explicações sobre qualquer coisa e de respeitar qualquer regra que o ser humano tenha criado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que importa é que não houve choro. Ainda melhor, eu mesmo não chorei. Ora, por que haveria de? Sempre fui uma pessoa fraca, pusilânime. Passei a vida toda chorando por besteiras, e também pela morte de tanta gente. Chega! Tem uma hora que até a tristeza cansa. E a felicidade. Rir, chorar. Ha, ha, ha! É só isso a vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que não posso comemorar minha morte nem a continuação de minha vida. Sinto-me um tanto perdido. Se antes eu não sabia quem era, imagine agora, tendo de conviver com a consciência de um vivo e de um morto. Pensando bem, acho até um pouco injusta essa história. Eu não podia ter morrido como todo mundo? Bye-bye, Brazil! Adieu, Casablanca! Acho que devo ter perdido algum clichê. Se pelo menos minha morte fosse metafórica, se eu pudesse dizer que naquele dia havia sido enterrado o bancário, para nascer o escritor. Mas não, para tanto não me ajudaram engenho e arte. Mesmo na morte sou conotativamente um zero à esquerda em conotações. Continuo bancário incompetente, um burocrata com aspirações literárias que não passarão de decepções, cuja principal obra talvez seja um cartão de ponto bem batido no final do mês. Sem erros de concordância. E assim vou levando a vida, burocraticamente, esperando o dia de bater meu ponto definitivo, morrer pela segunda e última vez. Para quem for carregar meu corpo, prometo perder uns quilinhos. Senti na própria pele que estou enorme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui termina meu conto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Como assim? Sem uma trama envolvente, sem um desfecho inesperado, sem qualquer palavra relevante, enfim, sem tudo, sem um único com? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, assim mesmo, pobre leitor. Se nem a morte conseguiu dar um fim a alguém como eu, dessa raça de sonhadores que não realizam nada e vivem babando letras oníricas, imaginando a obra-prima que jamais será escrita, então que fique este conto sem fim nem começo como o epitáfio de um escritor que não nasceu. Volte para a leitura de seu Faulkner, de seu Guimarães Rosa. E desculpe-me por tomar seu tempo. Quanto a mim, vou agora ao cemitério, antes do meu expediente lá no banco. Sem arrependimento nem mágoa, estou levando um vasinho de violetas para o que aqui jaz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-5282106992087881641?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/5282106992087881641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/epitafio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5282106992087881641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5282106992087881641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/epitafio.html' title='Epitáfio'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-4579157828810645895</id><published>2009-09-09T08:10:00.001-03:00</published><updated>2009-09-09T08:12:14.772-03:00</updated><title type='text'>Acordei assim hoje</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SqeNf9XU6dI/AAAAAAAAAEI/xm_dtf9HfJo/s1600-h/200px-Alfred_E._Neumann.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 261px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SqeNf9XU6dI/AAAAAAAAAEI/xm_dtf9HfJo/s400/200px-Alfred_E._Neumann.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379423860105210322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-4579157828810645895?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/4579157828810645895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/acordei-assim-hoje.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/4579157828810645895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/4579157828810645895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/acordei-assim-hoje.html' title='Acordei assim hoje'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SqeNf9XU6dI/AAAAAAAAAEI/xm_dtf9HfJo/s72-c/200px-Alfred_E._Neumann.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-7150270967480727660</id><published>2009-09-09T07:44:00.000-03:00</published><updated>2009-09-09T07:45:35.468-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Vazio</title><content type='html'>Na volta da chave na porta&lt;br /&gt;Ela vai, sem volta, sem não&lt;br /&gt;E o vão que se fecha comporta&lt;br /&gt;Os sonhos sonhados em vão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-7150270967480727660?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/7150270967480727660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/vazio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7150270967480727660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7150270967480727660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/vazio.html' title='Vazio'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-5604467466717473713</id><published>2009-09-05T09:40:00.003-03:00</published><updated>2009-09-05T10:57:18.717-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>Triângulo musical</title><content type='html'>Dias agitados no mundo da música. Tivemos o sumiço e a ressurreição do Belchior. O inusitado Hino Nacional cantado pela Vanusa. O sepultamento do Michael Jackson (embora eu ache que ele está vivo, num hotel do Uruguai). O show reunindo Orquestra Imperial, Caetano e Jane Birkin no Sesc. A foto do Sean Lennon. A volta dos Beatles, com discografia remasterizada. Os discursos do Sarney...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra coroar tudo isso, e pra relembrar os artistas citados, nada como ver este vídeo com imagens de John e Yoko ao som de "Comentários a respeito de John", do Belchior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/gZU7wwu-08o&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/gZU7wwu-08o&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-5604467466717473713?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/5604467466717473713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/triangulo-musical.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5604467466717473713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5604467466717473713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/triangulo-musical.html' title='Triângulo musical'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-5432845284709468692</id><published>2009-09-04T17:06:00.002-03:00</published><updated>2009-09-04T17:07:38.593-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Verde que te quero ver</title><content type='html'>O taxista pisou fundo no pedal do meio, o carro chiou, gemeu, tremeu e enfim parou, e o carro de trás, junto com o motorista do carro de trás, também freou, gritou, xingou e buzinou, e todos os outros carros, e todos os motoristas dos outros carros, e das motos, e dos ônibus, e dos caminhões também xingaram, buzinaram e frearam, mas todos então enxergaram o motivo de o taxista ter ousado paralisar o trânsito da maior cidade do país: uma árvore nascera em plena Avenida Paulista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais nem menos e sem pedir autorização a qualquer órgão público, aquele monstro verde surgira ali inteiro, em um segundo, brotando do asfalto estéril. E todos desceram de seus veículos, e todos ligaram seus celulares, e todos consultaram seus laptops, e todos finalmente usaram seus olhos sem visão para admirar o espetáculo e para tentar explicar o que era aquilo. A questão não era saber que tipo de árvore seria aquela, se um abacateiro, um pau-brasil ou uma mexeriqueira, e também não era saber como ela poderia ter surgido assim, tão de repente; a questão era simplesmente saber o que seria aquela coisa: um novo edifício comercial, um shopping center, um carro alegórico de alguma escola de samba temporã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era algo tão diferente na vida daquelas pessoas que muitas delas tiraram fotos, as crianças descobriram que dava para subir pelos galhos, e um casal de namorados chegou a rabiscar no tronco seus nomes dentro de um coração. Apesar de ter causado grande estranhamento, a novidade serviu para quebrar a rotina dos trabalhadores que passavam por ali, e eles aproveitaram para diminuir um pouco o ritmo frenético do trabalho e descansar à sombra acolhedora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieram repórteres, políticos, bêbados, políticos bêbados, donas de casa, donas de casa sem casa, universitários e toda uma turba que sempre acha que sabe de tudo, mas ninguém pôde dizer o que era aquele troço verde e esquisito, que contrastava com o deslumbrante tom cinzento das imediações. Veio também um bem-te-vi, que resolveu ficar por ali para relaxar suas asas estressadas de pássaro metropolitano e observar o olhar apatetado daquela gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquela gente, após pensar e repensar com a mãozinha no queixo, calcular um tal de custo-benefício e concluir que aquele objeto verde não identificado era inútil e perigoso, emitiu uma ordem de despejo ao bem-te-vi e derrubou a árvore. E não adiantou um garotinho dizer, com sua voz indecente, que no meio das folhas havia umas bolotas coloridas parecidas com aquelas ilustrações encontradas na embalagem de suco de manga. A árvore foi abaixo, levando consigo suas incômodas cores e o coração cicatrizado dos namorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algumas horas caóticas de trânsito em transe, depois de o obstáculo ser removido e de o asfalto ser recuperado, os carros, as motos, os ônibus, os caminhões e os humanos puderam trafegar desimpedidos pela avenida e viver sua vida de maneira saudável e livre. E o bem-te-vi nunca mais foi visto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-5432845284709468692?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/5432845284709468692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/verde-que-te-quero-ver.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5432845284709468692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5432845284709468692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/verde-que-te-quero-ver.html' title='Verde que te quero ver'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-8729795082422407598</id><published>2009-09-03T13:48:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T13:54:01.058-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Autobiografia não autorizada</title><content type='html'>Quando a senhora de capuz entrou na sala para levá-lo deste mundo, Jorge Hitlodeu acabara de digitar o ponto final da obra máxima em sua carreira de escritor: sua autobiografia. Eram duas mil páginas carregadas de passagens edificantes sobre uma vida ao mesmo tempo visionária e íntegra. A humanidade merecia um livro daquela grandiosidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A infância pobre, a fuga de casa na adolescência, as lutas por um mundo mais justo, a amizade de grandes autores, a contundente carreira literária, estava tudo ali. Best-seller garantido. Era uma pena que Jorge não fosse desfrutar do sucesso debaixo de sete palmos de terra, mas pelo menos aquela obra colocaria eternamente seu nome no cânone universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clique que faltava para enviar o texto a um editor foi impedido pela sempre justa dona Morte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Tsc, tsc. Não acha que tem lorotas demais aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor vacilou. Realmente, em alguns pontos ele havia floreado um pouquinho, em outros a verdade fora sumariamente pervertida. Ora, será que no Brasil certa dose de inverdade não seria tolerada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;− Olha, Jorge, vou te dar uma colher de chá. Lembra que mentira é pecado, e eu ia te levar diretinho pro céu. Agora, mermão, se tu não consertar essa baboseira aí, não sei, não, se o hómi vai te aceitar lá em cima. Pensa bem, te dou uma semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinho, ele decidiu repensar sua vida. É, talvez fosse melhor mudar algumas coisinhas. A primeira ação foi riscar todas as passagens em que as palavras “dinheiro” e “sucesso” apareciam. Isso até enriqueceria sua biografia, afinal que grandes escritores tiveram muito dinheiro ou reconhecimento em vida? Analisando o conteúdo, achou melhor ater-se aos acontecimentos, retirando páginas e mais páginas cheias de filosofia vazia. E as citações também foram cortadas. Muito pedantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum, e o que estavam fazendo os nomes de todas aquelas atrizes e modelos, entre as quatro paredes de uma alcova de papel? Jorge jamais se envolvera com qualquer mulher. Aliás, desde criança sonhava em ser escritor, e esse objetivo o isolou em sua casa, a tentar escrever a obra perfeita − a obra de uma vida inteira, que ele achava que se consumaria naquela autobiografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por dias foi cortando e cortando trechos, tudo que era falso, tudo que era fruto de sua imaginação. Quando a Morte voltou, ele havia terminado. Ao olhar para a tela em branco, o escritor se deu conta de que não tinha mais nada a dizer. Estava finalizada a obra que resumia tudo de importante que lhe acontecera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-8729795082422407598?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/8729795082422407598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/autobiografia-nao-autorizada.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/8729795082422407598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/8729795082422407598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/09/autobiografia-nao-autorizada.html' title='Autobiografia não autorizada'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-230542619291563377</id><published>2009-08-31T19:57:00.003-03:00</published><updated>2009-10-16T15:38:24.058-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Minicontos'/><title type='text'>Microconto para uma microvida</title><content type='html'>O suicídio da moça foi um sucesso. Mas também, não era pra menos: que beleza de queda! Treze andares de mergulho no ar poluído de São Paulo, culminando com um baque adiposo na calçada. Ploft.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo delirou. O Ibope subiu. Os peritos demonstraram toda a perícia. E o sorveteiro faturou: no isopor, só encalharam os picolés de groselha. O único chateado era o Fubá, gari com dez anos de vassoura. De manhã tinha varrido tão bonito aquela calçada... Que falta de consideração! Não tinha outro lugar pra pular, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, os restos da moça ali no chão. Quem era ela? Por que pulara? Ninguém sabia. Talvez fosse esse o motivo do suicídio. Uma vida tão mendiga como a dela não despertava a atenção das pessoas, nem mesmo a deste insensível narrador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-230542619291563377?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/230542619291563377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/08/microconto-para-uma-microvida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/230542619291563377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/230542619291563377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/08/microconto-para-uma-microvida.html' title='Microconto para uma microvida'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-1386836655603107789</id><published>2009-08-27T10:40:00.006-03:00</published><updated>2009-10-16T15:37:56.483-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Minicontos'/><title type='text'>Malabares</title><content type='html'>&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:"Cambria Math";	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:roman;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;}@font-face	{font-family:Calibri;	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:swiss;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-unhide:no;	mso-style-qformat:yes;	mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	text-align:justify;	text-indent:35.45pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:11.0pt;	font-family:"Arial","sans-serif";	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-language:EN-US;}.MsoChpDefault	{mso-style-type:export-only;	mso-default-props:yes;	font-size:10.0pt;	mso-ansi-font-size:10.0pt;	mso-bidi-font-size:10.0pt;	mso-ascii-font-family:Arial;	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-hansi-font-family:Arial;}@page Section1	{size:595.3pt 841.9pt;	margin:2.0cm 2.0cm 2.0cm 2.0cm;	mso-header-margin:35.45pt;	mso-footer-margin:35.45pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt; &lt;/style&gt;&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:"Cambria Math";	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:roman;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;}@font-face	{font-family:Calibri;	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:swiss;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-unhide:no;	mso-style-qformat:yes;	mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	text-align:justify;	text-indent:35.45pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:11.0pt;	font-family:"Arial","sans-serif";	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-language:EN-US;}.MsoChpDefault	{mso-style-type:export-only;	mso-default-props:yes;	font-size:10.0pt;	mso-ansi-font-size:10.0pt;	mso-bidi-font-size:10.0pt;	mso-ascii-font-family:Arial;	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-hansi-font-family:Arial;}@page Section1	{size:595.3pt 841.9pt;	margin:2.0cm 2.0cm 2.0cm 2.0cm;	mso-header-margin:35.45pt;	mso-footer-margin:35.45pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;A moeda de dez centavos, que com dificuldade passou pela abertura do vidro, era quase tão insignificante quanto a mão preta que a agarrou. “Deus te abençoe, dona.” Não tinha jeito, fazer malabarismo com aqueles desnutridos limões não ia matar a fome do garoto. Ele precisava de algo que tocasse o coração dos motoristas. Sim, o coração! Enfiou os dedos entre as costelitas e, com um puxão, deu à luz o bichinho. Mas era só um, que graça ia ter jogar o bruto pro alto? Com mais uma escarafunchada, arrancou o fígado e um rim. Agora, sim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o sinal vermelho, começou a dança daqueles estranhos objetos. As pessoas, no entanto, olhavam assustadas e, com uma careta, lhe negavam dinheiro. Brincar com os pulmões, o pingolim e os olhos tampouco resultou em algum trocado. Para incrementar a apresentação, o moleque tentou pular corda com as tripas enquanto equilibrava a bexiga no nariz. Acabou se enroscando todo e se desmanchou no chão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma moeda, agora de um real, foi jogada na sarjeta, junto aos cacarecos que um dia foram um menino de rua. Meio deslocada e sem jeito, em cima de uma bosta de cachorro, a boca murmurou: “Deus te abençoe, dona”. Mas o carro já tinha partido.&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: -0.1pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-1386836655603107789?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/1386836655603107789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/08/malabares.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/1386836655603107789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/1386836655603107789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/08/malabares.html' title='Malabares'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-2011759949959872169</id><published>2009-08-21T20:59:00.019-03:00</published><updated>2009-09-01T10:45:12.816-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotografia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagem'/><title type='text'>É azul</title><content type='html'>Enfim consegui um tempinho de folga entre minhas revisões pra postar as prometidas fotos do Ceará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terra linda, com praias bem diferentes das nossas, paulistas. Jericoacoara prende a gente em suas dunas que é difícil tomar coragem de partir. As falésias de Morro Branco são um mundo à parte, meio místico, meio bruto. E a batida de mel de caju, que leseira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, por outro lado, o sertão, que para nós é exótico, mas para os moradores é apenas a fome. Há a favela de Pirambu, em Fortaleza, uma das maiores do país. Há os turistas burguesinhos, como eu. Há os europeus a despejar seus euros e cobiçar as mulatas. Há a seca, que eu não vi. E há também a chuva, da qual eu vi apenas a inundação nos carnaubais, mas que este ano castigou o Nordeste e nem despertou a compaixão dos do lado de cá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todo caso, uma terra inesquecível. Vamos às fotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So8_BDX-CII/AAAAAAAAADw/rvMuz13ktj0/s1600-h/IMG_0536.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So8_BDX-CII/AAAAAAAAADw/rvMuz13ktj0/s400/IMG_0536.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372582167794550914" /&gt;&lt;/a&gt; Um pescador albino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So8-jDE9aeI/AAAAAAAAADo/a3Z_4FBsFbI/s1600-h/IMG_0517.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So8-jDE9aeI/AAAAAAAAADo/a3Z_4FBsFbI/s400/IMG_0517.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372581652318743010" /&gt;&lt;/a&gt; Morro Branco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So898qyLnjI/AAAAAAAAADg/cn81-odeeJU/s1600-h/IMG_0492C.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So898qyLnjI/AAAAAAAAADg/cn81-odeeJU/s400/IMG_0492C.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372580992962502194" /&gt;&lt;/a&gt; No meio do nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So89BZif5PI/AAAAAAAAADQ/Z-FpaIKSw1A/s1600-h/IMG_0450.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So89BZif5PI/AAAAAAAAADQ/Z-FpaIKSw1A/s400/IMG_0450.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372579974721037554" /&gt;&lt;/a&gt; O símbolo de Canoa Quebrada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So85bYa4GoI/AAAAAAAAACo/VBRJDPr5GBM/s1600-h/IMG_0116.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So85bYa4GoI/AAAAAAAAACo/VBRJDPr5GBM/s400/IMG_0116.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372576023050721922" /&gt;&lt;/a&gt; No caminho de Jericoacoara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So88l221E7I/AAAAAAAAADI/fDdyNW0DW7c/s1600-h/IMG_0350.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So88l221E7I/AAAAAAAAADI/fDdyNW0DW7c/s400/IMG_0350.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372579501554602930" /&gt;&lt;/a&gt; As dunas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So87xepBATI/AAAAAAAAADA/PTEg3KtHigQ/s1600-h/IMG_0313.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So87xepBATI/AAAAAAAAADA/PTEg3KtHigQ/s400/IMG_0313.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372578601701015858" /&gt;&lt;/a&gt; Os barqueiros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So87U4Q9DII/AAAAAAAAAC4/xV3VUMJOucQ/s1600-h/IMG_0241.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So87U4Q9DII/AAAAAAAAAC4/xV3VUMJOucQ/s400/IMG_0241.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372578110363208834" /&gt;&lt;/a&gt; A praia de Jeri&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So86BfMvdtI/AAAAAAAAACw/grOTLA4tUJs/s1600-h/IMG_0189.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So86BfMvdtI/AAAAAAAAACw/grOTLA4tUJs/s400/IMG_0189.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372576677705512658" /&gt;&lt;/a&gt; O pôr do sol dentro da Pedra Furada, que só acontece em alguns dias de agosto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So9Aolv2Q9I/AAAAAAAAAD4/ccmLzpiO0ls/s1600-h/IMG_0559.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So9Aolv2Q9I/AAAAAAAAAD4/ccmLzpiO0ls/s400/IMG_0559.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372583946548036562" /&gt;&lt;/a&gt; Olê, mulher rendeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So9BRxLXf8I/AAAAAAAAAEA/Hj4xav8eWPs/s1600-h/IMG_0521.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So9BRxLXf8I/AAAAAAAAAEA/Hj4xav8eWPs/s400/IMG_0521.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372584653990887362" /&gt;&lt;/a&gt; Contra o azul&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-2011759949959872169?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/2011759949959872169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/08/enfim-consegui-um-tempinho-de-folga.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/2011759949959872169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/2011759949959872169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/08/enfim-consegui-um-tempinho-de-folga.html' title='É azul'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/So8_BDX-CII/AAAAAAAAADw/rvMuz13ktj0/s72-c/IMG_0536.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-7284891319318798086</id><published>2009-08-07T19:11:00.005-03:00</published><updated>2009-09-01T10:45:41.197-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Avisos e dicas'/><title type='text'>Férias</title><content type='html'>Uma loucura os últimos dias, com revisão urgente pra fazer e sem tempo pra mais nada. Por isso este blog ficou abandonado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vai continuar parado, pois amanhã embarco pra Fortaleza, relaxar na praia, longe da gripe suína, porém um pouco mais perto do Sarney (não sei o que é mais perigoso). É claro que não vou levar laptop, e até o celular tô pensando em deixar em casa (mas a câmera é sagrada, depois posto aqui as melhores fotos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então é isso. Até mais!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-7284891319318798086?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/7284891319318798086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/08/ferias.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7284891319318798086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7284891319318798086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/08/ferias.html' title='Férias'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-7896715204326238150</id><published>2009-07-31T18:51:00.007-03:00</published><updated>2009-09-01T10:46:06.443-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Encaixe a frase</title><content type='html'>Este conto enviei para a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;piauí &lt;/span&gt;para participar do concurso Encaixe a Frase. O trecho a ser encaixado, do Proust, era "E dizer que estraguei anos de minha vida, que eu quis morrer, que tive meu maior amor, por uma mulher que não me agradava, que não fazia o meu gênero!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SnNpe4Yo_II/AAAAAAAAACg/LdeRScG1ek4/s1600-h/textopiaui.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 371px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SnNpe4Yo_II/AAAAAAAAACg/LdeRScG1ek4/s400/textopiaui.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364747560381119618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-7896715204326238150?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/7896715204326238150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/encaixe-frase.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7896715204326238150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7896715204326238150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/encaixe-frase.html' title='Encaixe a frase'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SnNpe4Yo_II/AAAAAAAAACg/LdeRScG1ek4/s72-c/textopiaui.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-5891772300185611449</id><published>2009-07-29T11:47:00.004-03:00</published><updated>2009-09-01T10:46:31.303-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Avisos e dicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua portuguesa'/><title type='text'>Houaiss no Twitter</title><content type='html'>Pra quem trabalha com a língua portuguesa, sempre surgem algumas dúvidas com relação à nova ortografia. Mesmo conhecendo todas as regras, às vezes topamos com certas palavras que dão dor de cabeça, e pensamos "será que esta é uma das tais exceções?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, a solução, é claro, é consultar o VOLP ou o novo Houaiss. Aqui vai uma dica para quem, como eu (tenho o primeiro Houaiss impresso, e tô esperando lançarem a nova edição em cd), ainda não conseguiu separar uma grana para comprar um dos dois: o Houaiss está no Twitter. Há uma pessoa responsável por responder às dúvidas dos leitores, e a resposta vem em poucos segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá aí a dica para os durangos de plantão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-5891772300185611449?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/5891772300185611449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/houaiss-no-twitter.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5891772300185611449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5891772300185611449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/houaiss-no-twitter.html' title='Houaiss no Twitter'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-3411091848868040372</id><published>2009-07-25T12:06:00.005-03:00</published><updated>2009-09-21T08:45:23.926-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre isso e aquilo'/><title type='text'>Da série "Os piores versos"</title><content type='html'>Sempre considerei "Por isso, garota, façamos um pacto/ De não usar a highway pra causar impacto", dos Engenheiros do Havaí, os piores versos da música brasileira. Riminha sem vergonha essa de pacto/impacto. E que história é essa de não usar a highway pra causar impacto? O que quiseram dizer com isso? Horrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois os engenheiros (de quê?, acho que não de palavras) foram desbancados! Vi esses dias na TV uma propaganda de um cd sertanejo em que Chitãozinho e Xororó cantam assim: "Sinônimo de amor é amar!" Como é que é? Então o substantivo amor é a mesma coisa que o verbo amar? Ué, e alguém algum dia achou que não fosse? Qualquer estúpido sabe que são a mesma coisa, apenas que o primeiro designa o sentimento e o segundo, o ato. Isso jamais será um caso de sinonímia, mas de classes gramaticais distintas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, há muito tempo a música sertaneja não é a mesma. Vim do interior, ouvi sertanejo a vida toda. E tenho grande consideração por Chitãozinho e Xororó, com músicas como Terra Tombada, Cheiro de Relva e No Rancho Fundo. Mas desanimei depois que eles passaram a gravar canções de caubói (imitando o pior do country americano), e depois que duplas de playboyzinhos sem talento e sem raiz sertaneja passaram a fazer mais sucesso que Tião Carreiro e Pardinho ou mesmo Pena Branca e Xavantinho.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, mas o assunto aqui é outro. Como já disse acima, há um novo campeão em minha lista de piores versos da música brasileira. Sei que devem existir milhares de casos como esses (sou completamente analfabeto quanto a funk e pagode), mas esses dois exemplos realmente me incomodaram. Pelo menos ainda consigo me impressionar com o mau gosto dos compositores. Enquanto existirem Paulinho da Viola, Chico Buarque, Milton Nascimento, Renato Teixeira e outros que não preciso citar, podemos ter um referencial de qualidade. Só tenho medo de a mediocridade e o mau gosto tomarem conta da música brasileira de tal forma que logo todo mundo vai querer causar impacto rimando amar com amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-3411091848868040372?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/3411091848868040372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/da-serie-os-piores-versos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3411091848868040372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3411091848868040372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/da-serie-os-piores-versos.html' title='Da série &quot;Os piores versos&quot;'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-8808385596088569215</id><published>2009-07-22T10:05:00.009-03:00</published><updated>2009-09-21T08:45:45.055-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre isso e aquilo'/><title type='text'>Medo da gripe</title><content type='html'>Tudo bem, eu sei que sempre fui meio paranoico e medroso, mas dessa vez acho que essa gripe suína pode ficar séria mesmo. A cada dia mais e mais casos e o aumento de mortes (até na minha natal Indaiatuba já morreu uma mulher). E dizem que o pior está por vir, quando chegar a tal segunda onda, que provavelmente deve ocorrer no inverno do ano que vem. A gripe espanhola, responsável por milhões de mortes no começo do século XX, também começou pouco letal e com o tempo foi se desenvolvendo até dizimar a população de boa parte do mundo, inclusive do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo de maio eu ainda trabalhava no Jaguaré e pegava um ônibus na Doutor Arnaldo, em frente ao Emílio Ribas. Fiquei assustado com as equipes de TV postadas por ali para noticiar os primeiros casos confirmados em São Paulo. No entanto, o que mais me assustou foi a neblina sobre a cidade, e principalmente entre os prédios da Paulista, que se estendeu por todo o caminho até o Jaguaré. É claro que minha imaginação começou a funcionar e eu já passei a enxergar um clima apocalíptico em tudo. E me lembrei de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A peste&lt;/span&gt;, do Camus, antevendo em São Paulo a mesma tragédia ambientada por ele em Oran, embora seu livro tratasse da peste bubônica, em vez da gripe. Algumas semanas depois, não pensei duas vezes em cancelar uma viagem que faria em agosto pela Argentina, trocando-a por uma temporada curta no ensolarado, e menos suscetível à gripe, Ceará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora leio que o Instituto Butantan promete uma vacina contra a gripe suína apenas para o ano que vem. Virá a tempo? Vamos torcer para que sim. Se a segunda onda atacar somente no ano que vem (e com muito mais força no inverno), espero que chegue logo o calor, quando a disseminação do vírus fica mais difícil. Assim teremos tempo de tomar a vacina e estar protegidos contra a pior fase. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, e se nas próximas semanas a coisa não melhorar, e se vocês não encontrarem mais mensagens novas neste blog, das duas uma: ou estarei estendendo minha viagem pelo Ceará, debaixo do sol protetor de Jericoacoara, ou estarei na companhia de Camus, numa discussão existencial (e, por outro lado, espiritual) a respeito do medo da morte. Sinceramente, me desculpe o Camus, mas prefiro muito mais a primeira opção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-8808385596088569215?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/8808385596088569215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/medo-da-gripe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/8808385596088569215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/8808385596088569215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/medo-da-gripe.html' title='Medo da gripe'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-2693373901843839034</id><published>2009-07-21T09:58:00.002-03:00</published><updated>2009-09-01T10:47:45.716-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Gol de placa</title><content type='html'>Ouvi até o final os gritos de meu chefe e saí do escritório. Pela última vez. Nada como um seco grito de “Rua” para encerrar dez anos de dedicação babosa a uma empresa fabricante de placas de trânsito. Se fosse outro dia, eu aceitaria numa boa minha demissão, afinal já não aguentava mais observar um bando de incompetentes que insistiam em escrever “Saída à 2 km” ou “Itú” e espalhar essas barbaridades pelas estradas. Tudo bem que meu serviço era na área financeira, era cobrar e cobrar funcionários públicos que sempre tentavam me comprar e me comprar. Mas eu não suportava aquela baixaria com a gramática, sentia-me até envergonhado por, mesmo que indiretamente, contribuir para o desrespeito contra nossa língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela tarde, no entanto, após uma tonelada de insultos ter sido despejada sobre meu orgulho, eu estava indignado e alimentava certo desejo de vingança. Desci tartarugando as escadas e, a cada degrau, eu me lembrava de uma forma mais sangrenta de tortura, buscando em minha cinemateca mental todas as cenas violentas que vira na TV, nas edificantes noites de sábado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar à porta da frente, nova pitada de vinagre foi adicionada a meu tonel de revolta: começava a chover. Na pressa, o guarda-chuva ficara lá em cima, sobre minha ex-mesa, ao lado de meu ex-computador e de minha ex-caixinha de clipes usados e enferrujados, como para lembrar ao coitado que ocupasse aquele espaço nos próximos dias que ele também poderia ser escorraçado a qualquer hora, ser excluído do tal mercado de trabalho e ter de fugir para a rua no meio da chuva, como um vira-lata manco, a revirar nas lixeiras das agências um novo subemprego que lhe desse a chance de roer um osso que não fosse o dele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, eu não ficaria ali parado, nem subiria para pegar o guarda-chuva, pois nos dois casos corria sério risco de ver meu chefe pela frente, e eu temia o resultado desse encontro. Saí e fui andando pela calçada, sentindo, no gelado da água, florescerem dentro de mim as mais negras impressões. Sempre fui pacato, um ser que não faria mal a uma moça. Mas, naquele momento, parecia que o lado escuro de minha alma havia eclipsado todo colorido que um dia pudesse ter me iluminado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éramos milhares de cidadãos saindo do serviço no final da tarde, enfrentando as ruas encharcadas apenas para chegar em casa e ver na TV um repórter gordo e bobo mastigar as mesmas ladainhas sobre o congestionamento. Ao menos se ele ousasse um pouco, filmasse algo mais interessante, como por exemplo o bambolear daquela perua que atravessava a rua, sacolejando seus enormes peitos de chiclete sob uma blusa transparente. Ou aquele respeitável executivo com cabelo cinza e cara de iguana, que se protegia da chuva debaixo de uma mala de couro, onde deveria haver dólares, notas fiscais, relatórios, catálogos ou uma coleção de lingeries vermelhas e acessórios sadomasoquistas. Havia tanta matéria singular nas ruas, então por que nossos jornalistas eram tão óbvios e cegos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esses pensamentos fui andando para casa, que ficava a uma distância suficiente para permitir um bom exercício de caminhada ao meu corpo de cetáceo bípede. Perturbado por minhas ideias, eu ia notando ou imaginando os piores defeitos dos pedestres, acompanhando cada um deles em sua luta contra o mau tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único que havia se resignado com a vileza da chuva era eu, encarando-a agora como aliada, e não como inimiga. Todavia, na outra calçada mais alguém parecia não se importar com suas roupas grudentas e com o frio: um garoto, lá pelos 8 anos, que ia pisando em todas as poças de água, o guarda-chuva preguiçosamente fechado debaixo do braço. Havia algo na cena que não pode ser chamado de nostálgico nem de pueril. Eu diria que havia magia em torno do garoto. Ele estava apenas sendo uma criança de 8 anos pisando nas poças de água, e aquilo simplesmente enfeitiçava um olhar como o meu, que em um minuto deixara de ser duro e vingativo e passara a observar o mundo de modo mais sensível e conciliador. Era confortador observá-lo chapinhando na água impunemente, a despeito de todos os chefes engravatados e das peruas plastificadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fomos nós, eu e a chuva, acompanhar o menino. Por vezes ele marchava, pé ante pé, sobre o meio-fio, equilibrando-se na linha branca que separa, nas cidades grandes, os seres humanos estressados, apressados e motorizados dos seres humanos estressados, apressados e robotizados. E o pequeno equilibrista não pertencia a nenhuma das categorias, pelo menos não por enquanto, e pouco ligava para os motoristas que passavam lambendo a sarjeta e buzinando contra sua dança despreocupada. O guarda-chuva, um modelo pouco sóbrio feito de tecido amarelo, agora era um útil contrapeso e um perfeito par para aquele minguado Gene Kelly de boné verde e bermuda roxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueci toda baixeza que meu ex-patrão cuspira em minha honra maculada e que os pneus cuspiam em minha calça. Eu nem sentia frio, tampouco me dava conta de minha deprimente figura, com meus raros cabelos sem cortar tecendo uma malha disforme colada sobre minha calvície. Eu estava tão absorvido naquele espetáculo que acabei atravessando a rua e seguindo o garoto, e até me desviei de minha rota habitual quando ele virou uma rua à esquerda, que nos levaria para o lado oposto ao da minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva estava mais fraca. A brincadeira nas poças fora substituída por uma lata de refrigerante abandonada, que agora servia de bola de futebol. E o garoto a chutava longe, depois fingia driblar um marcador imaginário, e logo começou a narrar as jogadas, imitando os jargões de um apresentador da televisão. Naquelas poucas pedaladas idealizadas à minha frente, havia mais jeito e graça do que nos noventa minutos do enfadonho futebol mercadológico no qual se transformaram todos os nossos campeonatos. E ele gritava, comemorava seus gols, às vezes até dizendo uns palavrões bem cabeludos, daqueles que só os meninos autênticos conhecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ia bem atrás dele, e é claro que ele percebeu minha perseguição. Em vez de fugir, como se alertado por uma distante voz de uma mãe neurótica, voltou-se para mim, jogou a bola metálica e disforme entre minhas pernas e chutou-a para longe, com um grito: É gol de placa! Depois de agradecer a uma imaginária torcida que o aplaudia, passou a caminhar ao meu lado, já esquecido da lata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor é palmeirense? Não, eu não era palmeirense. Ele nem quis saber meu time. Acho que para ele, se eu não era palmeirense, não devia entender muito de futebol. E disse que ele, sim, torcia para o Palmeiras. E adorava o Edmundo. O senhor vai ver, hoje o Edmundo vai detonar aqueles bostas. Não perguntei quem eram os bostas. Meu pai vai me levar pro Parque à noite. Ele não torce pra ninguém. Gosta só de corrida. Ele sempre vai comigo pro Parque, ganhei até a camisa do Edmundo. O seu pai leva o senhor pro campo? Respondi que meu pai já tinha morrido. Puts! Ele era palmeirense? Santista. Ah! Velho é tudo santista. Quem é inteligente torce pro verdão. Sabia que tirei A de matemática? O Tiago tirou D.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois ficou quieto, entediou-se com minha muda companhia e saiu correndo, tentando derrubar um marimbondo com o guarda-chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda o segui mais um pouco, mas logo o perdi de vista e comecei a sentir o frio de minhas roupas molhadas. Para me aquecer, entrei numa padaria e pedi um café. Café expresso, amargo. Eu já estava um pouco melancólico novamente. Queria também ter um guarda-chuva amarelo, queria também admirar o Edmundo ou qualquer pessoa. Não admirava ninguém, nem a mim mesmo. Talvez admirasse apenas o garoto, sua energia, sua vitalidade, sua descontração. Eu sabia que em breve ele poderia ser mais um como eu, ou como o executivo da mala de couro, afinal vamos todos nos embrutecendo com o tempo e nos desviando das poças de água, como se elas pudessem macular ainda mais nossa alma mercenária. Mas, ainda assim, havia uma espécie saudável de provocação e ousadia naquele corpinho mirrado que desafiava o futuro e ameaçava pintar o mundo com outras cores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz de uma moça que acabara de entrar cortou meu pensamento: “Um menino de guarda-chuva amarelo”. Ela conversava com o rapaz que fazia o cafezinho. “Morreu?” “Na hora! O ônibus passou por cima. Espalhou os miolos. Tá assim de gente olhando.” Meu café ficou um pouco mais amargo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte acordei e liguei a TV para ver o jornal da manhã. Não queria procurar emprego, não queria sair de casa. A chuva me trouxera uma gripe fortíssima, ia ficar na cama. Na tela, as más notícias de sempre: um ministro flagrado recebendo alguns milhões de um empresário; mais um resultado vergonhoso na avaliação das escolas brasileiras; um garotinho de 8 anos atropelado no centro da cidade. O semblante do apresentador, carregado e sombrio pela tragédia, se desanuviou a seguir, como num passe de mágica, ao comentar, eufórico, o golaço marcado pelo Edmundo na noite anterior: “Um gol de placa”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-2693373901843839034?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/2693373901843839034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/gol-de-placa.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/2693373901843839034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/2693373901843839034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/gol-de-placa.html' title='Gol de placa'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-7068006107233181677</id><published>2009-07-18T17:17:00.002-03:00</published><updated>2009-09-01T10:48:05.111-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>O Beco do Ipê</title><content type='html'>Lá no beco onde eu nasci&lt;br /&gt;Nasceu, um dia, um ipê&lt;br /&gt;Que mudou a paisagem do beco&lt;br /&gt;E mudou o cinza do beco&lt;br /&gt;E mudou até o nome do beco:&lt;br /&gt;Agora era o Beco do Ipê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um ipê-rosa, bem rosa&lt;br /&gt;Tão rosa que até doía&lt;br /&gt;Dores de árvore manhosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi ninho de sabiá&lt;br /&gt;Ele foi sombra de ninar nenê&lt;br /&gt;Ele foi sonho de namorada&lt;br /&gt;Ele às vezes foi só ipê.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas veio alguém que queria&lt;br /&gt;Construir uma loja de roupa&lt;br /&gt;No terreno rosado do ipê.&lt;br /&gt;Resultado: &lt;br /&gt;Roeram o verde do beco&lt;br /&gt;Pra vestir a barriga do rei&lt;br /&gt;Com os reais da roupa sem rosa&lt;br /&gt;Nem lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mataram nosso ipê-rosa&lt;br /&gt;Que de rosa rubrou sangue −&lt;br /&gt;Seiva estanque de mato.&lt;br /&gt;Desmata o ingrato do homem&lt;br /&gt;Desrosa as cores do mundo.&lt;br /&gt;A ganância é um saco sem fundo&lt;br /&gt;Que mata tudo, menos o mais:&lt;br /&gt;“Quero mais e mais e mais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choremos a morte do ipê&lt;br /&gt;Que chora a vida do homem.&lt;br /&gt;Gritemos em gritos de rosa&lt;br /&gt;Os ecos de um verde sem vida&lt;br /&gt;Nos becos sem cores do mundo&lt;br /&gt;No cinza de um beco sem saída.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-7068006107233181677?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/7068006107233181677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/o-beco-do-ipe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7068006107233181677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7068006107233181677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/o-beco-do-ipe.html' title='O Beco do Ipê'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-5925158753869334029</id><published>2009-07-14T12:59:00.005-03:00</published><updated>2009-09-21T08:46:03.006-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre isso e aquilo'/><title type='text'>Seu Zé</title><content type='html'>Confesso ter virado um grande fã e torcedor de José Alencar, nosso vice-presidente. Na semana passada ele passou pela décima quarta cirurgia, e continua lutando contra o câncer com muita perseverança e bom humor. Por isso, quero resgatar uma crônica que o Cony publicou na &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Folha &lt;/span&gt;em janeiro de 2008. Só o título, "Um homem", já bastaria para homenagear e retratar José Alencar. Mas aqui segue a crônica inteira, juntamente com minhas orações por sua recuperação e minha gratidão a esse que é um dos raríssimos bons exemplos hoje em dia lá em Brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Um homem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Carlos Heitor Cony&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para falar a verdade, nem sei a que partido o vice-presidente José Alencar pertence. Apesar de possuir uma biografia de sucesso empresarial, só tomei conhecimento de Sua Excelência quando compôs chapa com Lula no primeiro mandato. Apreciei algumas de suas declarações, mas não cheguei ao ponto de admirá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos anos, sim, passei não apenas à admiração, mas ao carinho. Embora não o conheça pessoalmente, estou torcendo para que tudo dê certo no seu tratamento ‒ e desde já todos devemos a ele um exemplo de como enfrentar o maior desafio que o tempo e o destino colocam à frente de todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No passado, tivemos o governador Mário Covas, também vitimado por uma grave doença e que, mesmo em seu estado terminal, continuou trabalhando. Era um temperamento sanguíneo, e até os últimos momentos foi fiel ao seu estilo e às suas ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Alencar é mineiro, mineiro de Ubá, terra de Ary Barroso, do Antônio Olinto, do Ferdy Carneiro e de outros amigos meus. Não conheço em detalhes sua carreira política, mas, como vice-presidente, tem dado o recado da discrição que o cargo exige. Mas não foi por aí que passei a gostar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impressionante como mantém seu sorriso, como se apresenta a cada saída dos hospitais onde se interna. Os especialistas são unânimes em ressaltar a importância do alto astral no tratamento de uma moléstia que costuma derrubar física e moralmente os seus portadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para esses, sobretudo, o comportamento de José Alencar é um dos melhores exemplos de como devem se portar os atingidos pela doença. Ele continua na ativa, não sentou no meio-fio para chorar o leite derramado. É um vice-presidente. Mas não é um vice-homem. É um homem em pleno exercício de sua condição humana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-5925158753869334029?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/5925158753869334029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/confesso-ter-virado-um-grande-fa-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5925158753869334029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5925158753869334029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/confesso-ter-virado-um-grande-fa-e.html' title='Seu Zé'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-90429871874458454</id><published>2009-07-13T10:40:00.003-03:00</published><updated>2009-09-21T08:46:24.267-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre isso e aquilo'/><title type='text'>A brevidade da vida</title><content type='html'>Dois livros que li esses dias tratam basicamente do mesmo assunto, embora muito distantes cronologicamente um do outro: o primeiro, um ensaio filosófico em estilo epistolar, escrito no primeiro século depois de Cristo; o segundo, um romance de um escritor judeu norte-americano ainda vivo. Apesar da diferença de estilo e de época, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sobre a brevidade da vida&lt;/span&gt;, de Sêneca, e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Homem comum&lt;/span&gt;, de Philip Roth, têm muito em comum, principalmente porque há muito de literatura no primeiro e muito de filosofia no segundo, e por trabalharem com um tema sempre afeto a ambas as áreas: a perplexidade diante da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensador latino perseguido por Calígula, condenado ao desterro por Cláudio e tutor de Nero, Sêneca teve intimidade o bastante com os poderosos (e outro tipo de intimidade com as mulheres deles) para averiguar que a maioria das pessoas, ocupada demais com seus afazeres, se esquece de viver a própria vida e só se lembra dela quando envelhece. Aí todos reclamam de como a vida é curta, sem perceber que foi o excesso de trabalho e de preocupações supérfluas que a fez parecer curta. E, “quando alguma doença lhes mostra a sua fragilidade, morrem amedrontados, como se não estivessem deixando a vida, mas ela estivesse sendo arrancada deles”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O protagonista sem nome de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Homem comum&lt;/span&gt; enfrenta uma velhice solitária, resultado de três divórcios e do consequente afastamento dos filhos e familiares. Depois de inúmeras cirurgias, da morte dos pais e de amigos, de uma brilhante conversa com um coveiro, ele acaba no leito de hospital para mais uma cirurgia, que arrancará sua vida sem lhe dar a oportunidade de realizar-se. Foi morto por uma parada cardíaca. “Deixou de ser, libertou-se do ser sem se dar conta disso. Tal como ele temia desde o início.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois belos livros, que nos propiciam, ao final da leitura, sentimentos diferentes. O de Sêneca nos abre os olhos para enxergar que ainda dá tempo de fazer algo por nossa vida antes que a morte nos pegue desprevenidos, antes que tomemos a consciência de que tudo foi em vão. O de Roth nos passa um sentimento amargo, o da solidão do homem moderno, aniquilado física e moralmente. Ambos os livros, no entanto, como toda boa literatura, nos trazem muitas perguntas, e nos fazem pensar na própria morte ‒ o momento em que, aceitemos ou não, vamos nos desesperar ou nos tranquilizar por tudo aquilo que realizamos ou deixamos de realizar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-90429871874458454?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/90429871874458454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/brevidade-da-vida.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/90429871874458454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/90429871874458454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/brevidade-da-vida.html' title='A brevidade da vida'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-2717883776932159839</id><published>2009-07-10T10:00:00.002-03:00</published><updated>2009-09-01T10:49:03.792-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Minha música</title><content type='html'>Ei, você,&lt;br /&gt;burocrata da cultura!&lt;br /&gt;Já lhe disse:&lt;br /&gt;Não faço acordos&lt;br /&gt;Faço acordes&lt;br /&gt;Faço cortes&lt;br /&gt;Na carne do violão.&lt;br /&gt;Não me vendo.&lt;br /&gt;Não me venha falar&lt;br /&gt;De lucro.&lt;br /&gt;Minha calculadora emperrou&lt;br /&gt;Não é dessa máquina&lt;br /&gt;Que eu tiro som.&lt;br /&gt;Não faço pactos&lt;br /&gt;Compartilho.&lt;br /&gt;Comprometo minha arte&lt;br /&gt;Com a parte que não cabe&lt;br /&gt;No contrato&lt;br /&gt;Nas letras miúdas&lt;br /&gt;De um texto&lt;br /&gt;Sem canção.&lt;br /&gt;Não faço a moda&lt;br /&gt;Faço modas.&lt;br /&gt;Não inventei a roda&lt;br /&gt;Que move o mercado&lt;br /&gt;Da diversão.&lt;br /&gt;Não faço sua música&lt;br /&gt;Eu marulho&lt;br /&gt;Sem entrar nessa onda&lt;br /&gt;Tão muda e imunda&lt;br /&gt;De barulho.&lt;br /&gt;Não faço cifrões&lt;br /&gt;Faço refrãos&lt;br /&gt;Que não rimam com nada&lt;br /&gt;Que não caem na graça&lt;br /&gt;Que não ecoam na praça.&lt;br /&gt;Não faço seu jogo&lt;br /&gt;Faço versos loucos&lt;br /&gt;Para ouvidos moucos.&lt;br /&gt;Nada do que faço, enfim,&lt;br /&gt;Vai ser embalado pra presente&lt;br /&gt;No aniversário de alguém.&lt;br /&gt;Minha música não serve&lt;br /&gt;Pra embalar neném.&lt;br /&gt;Nem vai garantir meu futuro&lt;br /&gt;Com algum vintém.&lt;br /&gt;Faço apenas o que ninguém&lt;br /&gt;Espera de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-2717883776932159839?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/2717883776932159839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/minha-musica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/2717883776932159839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/2717883776932159839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/minha-musica.html' title='Minha música'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-6756339394360668461</id><published>2009-07-07T08:31:00.009-03:00</published><updated>2009-09-01T10:49:18.543-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Avisos e dicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Concurso literário em Belo Horizonte</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SlM3m7_QkCI/AAAAAAAAABw/KiCxSWMnqfY/s1600-h/images.do.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 208px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SlM3m7_QkCI/AAAAAAAAABw/KiCxSWMnqfY/s320/images.do.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355685523951226914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prefeitura de Belo Horizonte abriu inscrições para dois concursos literários: o Prêmio Cidade de Belo Horizonte, nas categorias ensaio, poesia (autor estreante) e dramaturgia; e o Prêmio João-de-Barro, na categoria literatura infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As inscrições são gratuitas e vão até o dia 7 de agosto. Para todas as categorias a premiação é em dinheiro (cujos valores vão de 8 a 16 mil reais), além da publicação da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maiores informações pelo site da &lt;a href="http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/comunidade.do?app=fundacaocultura"&gt;Fundação Municipal de Cultura&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-6756339394360668461?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/6756339394360668461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/concurso-literario-em-belo-horizonte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/6756339394360668461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/6756339394360668461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/concurso-literario-em-belo-horizonte.html' title='Concurso literário em Belo Horizonte'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/SlM3m7_QkCI/AAAAAAAAABw/KiCxSWMnqfY/s72-c/images.do.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-6098552750630589162</id><published>2009-07-06T09:49:00.002-03:00</published><updated>2009-09-01T10:49:37.958-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trocadilhos'/><title type='text'>Trocadilho etílico</title><content type='html'>Caipirinha pura&lt;br /&gt;Quando cai purinha pira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-6098552750630589162?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/6098552750630589162/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/trocadilho-etilico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/6098552750630589162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/6098552750630589162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/trocadilho-etilico.html' title='Trocadilho etílico'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-7898967186955516332</id><published>2009-07-01T13:19:00.003-03:00</published><updated>2009-09-16T14:09:42.082-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura infantil e juvenil'/><title type='text'>Um a zero</title><content type='html'>Fred, eu sei que esta não é a hora certa, mas vou ter que falar. Sou seu melhor amigo, eu tenho que falar isso. Você matou a Silvinha, cara. Matou! Sabe o que é isso? Tirou ela de mim e de você. Agora ela não é de ninguém. Ou é, sei lá o que vem depois. Mas ela morreu. É como aquela história que a gente ouvia quando era menor, na casa da sua vó: veio uma fada com uma varinha mágica e puf, a Silvinha sumiu do mundo. Ou como as colas que a gente trocava na prova e desapareciam quando o professor olhava torto. Ele procurava, procurava, e nada. Quando ele se virava, você me cochichava sua frase preferida: “Um a zero pra mim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra você, era tudo competição. A sua piada era mais engraçada que a minha? Um a zero pra você. O seu Corinthians ganhava do meu Palmeiras? Um a zero pra você. Eu até achava graça, e nunca liguei de perder. Aliás, esse era nosso trato. Quem perdesse qualquer disputa nunca devia reclamar nem chorar. Aí você saiu com a Sílvia só pra me provocar, só pra mostrar que era melhor que eu em tudo. Aí doeu, cara. Fiquei com raiva, quis te matar. Mas não chorei. Em vez de chorar, eu queria brigar, queria sumir, sei lá. Porque aquilo foi traição, cara. Carrinho por trás. Você sabia o quanto eu tava a fim dela. E pra que você fez isso? Pra levar a Silvinha no carro do seu pai e enfiar a cara dela num poste da Consolação? Foi pra isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pô, que ideia essa de pegar o Santana do velho? Quinze anos, cara. Sem carta, sem idade. Seu pai pode ser preso, sabia? Vai ficar contente vendo o velho na cadeia, a Sílvia no cemitério? Se liga, não é assim que as coisas funcionam. Dar uma voltinha dentro do condomínio vai lá, o máximo que podia acontecer era dar uma ralada no importado de alguma baranga cegueta. Lembra aquele dia que a gente tava passando na frente da casa da dona Júlia e o poodle dela correu na frente do carro? Você desviou, passou por cima da calçada, tirou da moto parada ali e o cachorro escapou por pouco. Você, achando que tinha feito uma baita manobra, disse pro bicho: “Um a zero pra mim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irresponsável você sempre foi, né. Aliás, eu também, mas muito menos. A nossa disputa na escola não era para ver quem tirava as melhores notas, e sim pra ver quem recebia mais advertências da diretoria e mais suspensões. Você ganhava disparado. Começava com um a zero, eu empatava, depois você fazia três a um, seis a dois... Até quase ser expulso, aí dava uma segurada. No outro ano, começava tudo de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso discordar, você sempre foi melhor em tudo. Desde criança. Lembra os campeonatos de botão? Eu conseguia no máximo um empate, de vez em quando. O melhor em tudo, hein Fred! Era inclusive o mais bonito, sempre o queridinho das meninas. Tinha tantas lá na rua que davam em cima de você. A Roberta, a Lu, a Bete, puts, e até a Refugo, credo! E quem você foi catar? Logo a Silvinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enterro dela foi muito, muito triste. O Fábio que disse, porque eu não quis ir. Fiquei lá em casa sozinho, pensando. Fiquei lembrando o sorriso dela, a boca que nunca beijei. Era bom o beijo dela, Fred? Me conta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se sofri mais no dia em que ela falou que vocês estavam namorando ou no sábado em que ela morreu. Eu estava em casa, tentando tirar Stairway to Heaven na guitarra. Meu pai entrou no quarto com uma cara tão estranha que eu já adivinhava qualquer coisa. Qualquer coisa, menos aquilo. E de manhã ela tinha me falado que você tinha comprado um brinco pra ela. Ela colocou na orelha e me mostrou. Estava tão linda... Você tem bom gosto, cara. Será que ela estava usando o brinco na hora do acidente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, mas não pensa que eu tô bravo contigo não, cara. Não mesmo. Ainda mais agora, depois de tudo isso. Eu sempre vou ser seu melhor amigo, sempre. E nem esse seu namoro com a Sílvia separou a gente. Olha, desculpa eu falar, não vai ficar magoado. Mas eu tinha planejado que, se vocês casassem, eu ia ser amante dela. Se ela quisesse, lógico. Pelo menos íamos ficar os três juntos pra sempre. Que tal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, mas agora ela morreu. Foi enterrada faz dez dias. Você aguentou um pouco mais, Fred. Até achei que ia sair dessa, os médicos deram um pouquinho de esperança. Mas ontem a esperança acabou. Seu coração parou, uma complicação com o pulmão, sei lá. Você ficou em coma por todo esse tempo, e várias vezes eu fui lá, tentar conversar. Não me deixaram entrar na UTI. Por isso tô falando agora, antes que o gordo da funerária venha fechar o caixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou sentir sua falta, cara. Saudade das nossas competições. Lembra quando a gente discutia sobre quem ia viver mais? Eu falava que ia viver até 80, você até 100, eu aumentava pra 150, aí você terminava a conversa dizendo que era imortal. Não era. Eu ainda estou vivo, finalmente ganhei uma disputa. Um a zero pra mim, Fred. Mas confesso que é uma vitória com gosto de derrota ‒ aliás, uma derrota por dois a zero. E não repara não, dessa vez eu tenho que chorar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-7898967186955516332?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/7898967186955516332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/um-zero.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7898967186955516332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7898967186955516332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/07/um-zero.html' title='Um a zero'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-1301364466056231756</id><published>2009-06-29T09:09:00.001-03:00</published><updated>2009-09-01T10:50:08.603-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Made in China</title><content type='html'>Relógio cansado já não gira&lt;br /&gt;Nem nas horas da pilha chinesa&lt;br /&gt;Nem no pulso da chinesa vazia.&lt;br /&gt;Com a corda no pescoço escravo&lt;br /&gt;Ela produz sua própria cova&lt;br /&gt;Para enterrar o coração exausto&lt;br /&gt;Que parou por falta de corda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, povo infinito e efêmero,&lt;br /&gt;Sua carne padece de fome&lt;br /&gt;Sua carne carece de carne&lt;br /&gt;Sua carne parece sem nome.&lt;br /&gt;Na carnificina de suas fábricas&lt;br /&gt;Fabricam a fome do homem&lt;br /&gt;Exportam o relógio de ferro&lt;br /&gt;Expõem a ferida sem fundo&lt;br /&gt;Do feroz mundo do consumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu patrão é sem pátria certa&lt;br /&gt;Sua pátria é um pátio coberto&lt;br /&gt;De produtos fabricados de lata&lt;br /&gt;E corpos fatigados de sucata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, no Ocidente,&lt;br /&gt;Ninguém vê (nem quer ver)&lt;br /&gt;Embutido no preço tão ínfimo&lt;br /&gt;De um relógio importado da China&lt;br /&gt;O salgado valor do imposto&lt;br /&gt;Do suor de uma chinesa sem rosto&lt;br /&gt;Cujo pulso, igual pilha palito,&lt;br /&gt;Não veste relógio nem pele: &lt;br /&gt;Só osso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-1301364466056231756?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/1301364466056231756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/made-in-china.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/1301364466056231756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/1301364466056231756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/made-in-china.html' title='Made in China'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-6699945515093067725</id><published>2009-06-25T08:46:00.004-03:00</published><updated>2009-09-01T10:50:37.572-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura infantil e juvenil'/><title type='text'>Os três porquinhos</title><content type='html'>Peço desculpas a quem não gosta de literatura infantil (não sabe o que está perdendo), mas vou postar abaixo outro conto escrito por mim. É um exercício proposto em meu curso, uma tentativa de criar uma nova versão de um conto de fadas ou de outra história para crianças conhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os três porquinhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pelas bandas do Vale dos Lobos Famintos viviam três porquinhos redondos e apetitosos. Eles eram irmãos, e muito legais e divertidos, por sinal. Bem, pra falar a verdade, um deles, o mais velho, não era assim tão legal. Ele só queria saber de trabalhar e estudar e não parava nem para ver o desenho do Bob Esponja. Um chato. Sempre criticava os irmãos, uns vagabundos, segundo ele, e procurava atrapalhar qualquer brincadeira que inventassem. Tinha espírito de porco, como se diz por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois porquinhos brincalhões pouco se importavam com o ranzinza. Passavam o dia jogando videogame ou fazendo guerrinha de bola de lama, enquanto o irmão ralava muito para ganhar dinheiro. O salário dele era suficiente para comprar comida para todos e para poder manter protegida a grande casa de tijolos que ele próprio havia construído, mas que era habitada também pelos outros dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um período de prosperidade para eles. E era uma época de paz na região, porque os tais lobos famintos que davam nome ao vale pertenciam a uma religião que proibia comer carne de porco, principalmente mal passada. Assim, os dois porquinhos menores viviam despreocupados, e o mais velho os tolerava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um dia o porquinho trabalhador perdeu o emprego. Logo, teve que começar a usar o dinheiro que guardava havia tanto tempo em seu cofre... aliás, um cofre bem grandão no formato de porco. E ele não teve outra escolha: expulsou os dois folgados de casa. É claro que ainda tinha dinheiro de sobra, que poderia sustentar os três por mais alguns anos. Para não correr qualquer risco, no entanto, decidiu morar sozinho e nunca mais falou com os irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois desalojados saíram de casa com duas patas na frente e duas atrás, sem nenhum centavo no bolso. Como não tinham onde morar, cada um ergueu um barraco com o material que encontrou pela frente: um deles fez a casa de palha, e o outro fez de madeira. E ambos se fecharam em seu próprio barraco, sem ânimo para brincar ou passear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado algum tempo, apareceu pela região um lobo desconhecido. Mas ele não foi aceito pelos outros lobos que moravam por ali. Disseram que era um subversivo, que não respeitava nenhuma religião e só pensava no próprio estômago. E era verdade. Estava com uma fome de leão e daria tudo por um leitãozinho pururuca. Sabendo que os três porquinhos viviam ali perto, foi procurar a casa deles, salivando de tanta fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira casa que encontrou foi a de palha. Bateu na porta, chamou, esperneou, mas ninguém respondeu. Então resolveu assoprar e assoprar, até que todo o barraco foi pelos ares. Encolhido no chão, estava o porquinho. Raquítico, tremendo de fome e de medo, era só pele e osso. O lobo olhou para ele e pensou: “Xi, com esse aí não dá nem pra fritar um torresmo”. Desanimado, foi embora ver se descolava um rango melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na casa de madeira, a cena se repetiu. O porquinho lá dentro estava tão magro, mas tão magro, que o lobo quase nem o viu, confundindo seu corpo com uma das tábuas que haviam sobrado da construção. “Esse só serve pra palitar os dentes”, disse o lobo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando à casa de tijolos, onde ele achava que encontraria muita coisa pra comer, a decepção foi enorme. Havia grades, cadeados, cerca elétrica, alarme e até um espantalho para manter todo mundo afastado. O porquinho mais velho havia erguido uma fortaleza para proteger seu dinheiro e sua comida. Ninguém chegava perto. “Agora dancei”, roncou o estômago do lobo. Mas como ele não era nada bobo, foi embora para pensar numa forma infalível de invadir a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, o porquinho mais velho estava vendo um filme e comendo milho de pipoca quando a campainha tocou. Levantou-se com dificuldade do sofá, pois estava imenso, de tanto comer e beber. Pela câmera que havia mandado instalar notou uma velhinha no portão, que parecia muito sua vovozinha, uma leitoa de várias arrobas. Morrendo de saudade de toda a família e já não aguentando mais viver sozinho, abriu o portão para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que felicidade! Abraçou a velhinha e deu um beijo em seu rosto, mas estranhou o nariz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Credo, vovó, cadê a tomada que tinha aqui? E por que esse nariz tão grande?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ É pra te cheirar melhor, meu netinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ E os olhos? Por que esses olhos tão grandes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ É pra enxergar melhor esse seu lombo tão suculento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ E por que essa boca tão grande?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Ai, ai. É pra eu dizer bem alto que não sou sua vó, mas um lobo carnívoro, faminto, cruel e desalmado. Deixa de ser burro, moleque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora em que o porquinho percebeu a cilada, já era tarde demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo depois, o cheiro de leitão assado invadiu a floresta e atiçou a fome dos outros dois porquinhos. Desesperados, quase sem força para andar, rastejaram até a casa de tijolos e chegaram no momento em que o irmão, em cima de uma bandeja e rodeado de batatas, era servido na mesa. O lobo, com pena dos dois, convidou-os para almoçar. É claro que não quiseram comer um pedaço do irmão, mas dividiram com prazer a maçã que estava na boca dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um banquete e tanto!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-6699945515093067725?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/6699945515093067725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/os-tres-porquinhos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/6699945515093067725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/6699945515093067725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/os-tres-porquinhos.html' title='Os três porquinhos'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-4448380316098696223</id><published>2009-06-23T08:30:00.007-03:00</published><updated>2009-09-01T10:50:49.502-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura infantil e juvenil'/><title type='text'>Os contos de fadas</title><content type='html'>Os contos de fadas que lemos hoje, a maioria reescrita por gente como Charles Perrault ou os irmãos Grimm, são muito diferentes das histórias originais. Antes havia muito mais a intenção de educar do que de entreter, e os textos (geralmente orais) eram secos, duros e mesmo cruéis, e sem preocupação formal ou estilística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chapeuzinho Vermelho é um exemplo. Há 33 versões conhecidas criadas pelos camponeses da França no século XVIII. Pode-se perceber (leia o original abaixo) qua a história é contada de maneira direta, sem floreamento. Não há alegoria. O lobo representa apenas um lobo, uma ameaça para as crianças que se aventurassem sozinhas pela floresta. Na época havia o problema da fome, daí a ênfase que o conto dá à questão do alimento. E a crueldade presente na narrativa é apenas um reflexo de como viviam aquelas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje tendemos a interpretar esses contos de acordo com as teorias ou correntes intelectuais dos últimos séculos, como a psicanálise e o marxismo. Nada contra essas teorias, que, por sinal, são de grande importância para analisarmos o homem e as relações sociais. No entanto, para mim, não devem ser usadas para analisar uma narrativa, seja ela uma fábula ou uma novela. Precisamos conhecer o contexto em que essas histórias foram produzidas (neste caso, a situação dos camponeses franceses do século XVIII) e a partir daí tirarmos nossas conclusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou falar demais aqui. É melhor cada um ler o conto abaixo e tirar as próprias conclusões. Ele foi retirado do livro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O grande massacre de gatos e outros episódios da história cultural francesa&lt;/span&gt;, de Robert Darnton, e apresentado a mim, há cerca de um ano, pelo professor Júlio Pimentel Pinto, a quem devo muitas das reflexões acima mencionadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenção: retirem as crianças da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Chapeuzinho Vermelho&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(esse título não existia na época, foi acrescentado depois)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, a mãe de uma menina mandou que ela levasse um pouco de pão e de leite para sua avó. Quando a menina ia caminhando pela floresta, um lobo aproximou-se e perguntou-lhe para onde ia: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Para a casa da vovó – ela respondeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Por que caminho você vai, o dos alfinetes ou o das agulhas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ O das agulhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o lobo seguiu pelo caminho dos alfinetes e chegou primeiro à casa. Matou a avó, despejou seu sangue numa garrafa e cortou sua carne em fatias, colocando tudo numa travessa. Depois, vestiu sua roupa de dormir e ficou deitado na cama, à espera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pam, pam! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Entre, querida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Olá vovó. Trouxe para a senhora um pouco de pão e leite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Sirva-se também de alguma coisa. Há carne e vinho na copa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina comeu o que lhe era oferecido e, enquanto o fazia, um gatinho disse: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Menina perdida! Comer a carne e beber o sangue da sua avó! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois o lobo disse: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒Tire a roupa e deite-se na cama comigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Onde ponho o avental? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Jogue no fogo. Você não vai mais precisar dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para cada peça de roupa – corpete, saia, anágua e meias – a menina fazia a mesma pergunta. E cada vez, o lobo respondia: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Jogue no fogo. Você não vai precisar mais dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a menina se deitou na cama, disse: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Ah, vovó! Como você é peluda! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ É para me manter mais aquecida, querida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Ah, vovó! Que ombros largos você tem! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ É para carregar melhor a lenha, querida! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) Até que ela perguntou: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ Ah, vovó! Que dentes grandes você tem! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‒ É para comer melhor você, querida! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele a devorou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-4448380316098696223?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/4448380316098696223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/os-contos-de-fadas-que-lemos-hoje.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/4448380316098696223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/4448380316098696223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/os-contos-de-fadas-que-lemos-hoje.html' title='Os contos de fadas'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-5453721221579243356</id><published>2009-06-22T09:33:00.003-03:00</published><updated>2009-09-21T08:46:59.217-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre isso e aquilo'/><title type='text'>A busca, noite adentro</title><content type='html'>O título acima é de um texto escrito pelo premiado escritor norueguês Per Petterson e publicado na revista &lt;span style="font-style:italic;"&gt;piauí &lt;/span&gt;de maio, com tradução do Daniel Galera. Peço desculpas por só comentar sobre ele agora, quando a edição de maio já foi retirada das bancas, mas é que só agora consegui um tempo para ler. Quem se interessar, pode acessá-lo no site da revista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem necessita de rótulos, “A busca, noite adentro” pode ser considerado um conto, no qual um homem relata suas caminhadas solitárias através das noites escuras e geladas de outono na Noruega, em busca de algo. O que procura, exatamente, nem ele próprio sabe direito. Felizmente, ele não quer encontrar respostas dentro de si, evitando assim cair no lugar-comum da metáfora da busca pelo autoconhecimento. Antes, ele busca anular-se na escuridão na qual penetra, cuja presença, ao ocultar a existência de qualquer forma física, o torna consciente de “uma liberdade quase esmagadora”, liberdade esta que lhe permite romper a noção entre corpo e não corpo, afundar-se no nada e na sensação de incompletude do mundo e do próprio ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem nunca sentiu prazer em caminhar sozinho, sem rumo, apenas para fugir do tédio cotidiano, que nos exige: seja isso, tenha isso, realize isso? Esse prazer não vem de nada específico, não é um prazer sensível, qualificável. É apenas a sensação de que, naquele momento, a solidão nos basta, o nada nos basta. É como quando o narrador encontra um alce e fica feliz por sua cadela não ter vindo junto, pois ela começaria a latir e estragaria tudo, destruiria aquele mundo particular e ao mesmo tempo universal em que ele, o alce, as árvores invisíveis, o silêncio, não possuem uma existência individual, mas fazem parte da noite, são meros elementos com igual importância: nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria ir longe demais eu querer comparar esse homem caminhando na noite solitária com o ato de escrever? A tela em branco, a noite escura de todo escritor, nos fornece uma total liberdade e uma noção de autoanulamento que nos permitem afastar o ego, desmanchar-nos em outra realidade e esquecer completamente quem somos. O escritor, no fundo, é sempre um caminhante que jamais sabe antecipadamente aonde o caminho o levará. E posso dizer que o leitor também pode perder o rumo (e depois encontrá-lo) ao se deparar com a obra de um grande autor, como esse conto de Per Petterson.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-5453721221579243356?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/5453721221579243356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/busca-noite-adentro.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5453721221579243356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5453721221579243356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/busca-noite-adentro.html' title='A busca, noite adentro'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-1509819141962427542</id><published>2009-06-21T08:09:00.004-03:00</published><updated>2009-09-01T10:51:21.056-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura infantil e juvenil'/><title type='text'>A cor mágica</title><content type='html'>O conto abaixo eu escrevi como exercício para minha aula de literatura infantil e juvenil. Acho que é mais voltado para o público juvenil, mas como não sou eu quem decide qual será meu leitor, aqui vai a história para que vocês mesmos resolvam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A cor mágica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juro que daquela vez não quis fazer nada de errado. Foi o anão que me enganou. Foi ele que me pediu para ir espiar a cor da calcinha da tia Orlandinalva. Fui lá, debaixo das pernas dela, e olhei, e aquilo mudou minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa estava animada, a mulherada dançando o Samba do Arnesto e tomando champanhe. O vô e a vó eram os únicos quietos, pareciam querer guardar um ar de respeito na comemoração de suas bodas de ouro. Mamãe, ao contrário, ria à toa ao lado de um empresário de bigodinho, chefe do meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava junto com as primas, beliscando a bunda de uma ou contando para outra o mais novo palavrão que tinha aprendido no livro de português. Elas riam. Tudo normal. Então, vindo não sei de onde, apareceu aquele anão safado. Eu devia ter percebido que debaixo daquela cartola francesa havia algo sinistro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me levou prum canto, disse que se chamava Henri e que era pintor. Falou que tinha vindo de muito longe porque precisava terminar uma pintura e faltava apenas uma cor pra finalizar o que seria sua obra-prima. E essa cor, “atenção, garoto, isso é segredo”, essa cor era mágica, e dava muitos poderes a quem a conhecesse. E ela só podia ser vista em um lugar remoto e abandonado: a calcinha de uma solteirona encalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não levei muito a sério o que ele disse. Pra mim, ele estava era tirando uma da minha cara e só queria me sacanear. Mas a palavra “segredo”, aliada a “calcinha”, atiçou minha curiosidade. Pensando bem, até que seria interessante ver o que se escondia por baixo daquela saia ridícula da tia Orlandinalva. Só achei estranho o anão não ir ele mesmo olhar, já que isso era tão importante. Ele respondeu que tinha entrado de penetra na festa, ia chamar a atenção, e que eu teria muito mais facilidade de ir me embrenhar nas pernas da tia e depois contar a ele qual era a cor da calçola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, desconfiei, o que eu ganharia com aquilo? O anão disse que seria algo que me marcaria pelo resto da vida, e que, se eu não quisesse colaborar, ele ia pedir a ajuda do meu primo Nicolau. Ah, eu odiava o Nico, e não queria ser passado pra trás. Aceitei o trato na hora e fui para o meio do salão, cumprir o prometido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música havia mudado. Em vez de samba, uma espécie de cancã incentivava as mulheres a jogar as pernas pro alto, numa coreografia mais esquisita do que uma aula de hidroginástica com pererecas do brejo. Eu não podia perder a oportunidade. Fui me esgueirando por entre os nobres cavalheiros que, com olhar dissimulado, também queriam ver a mesma coisa que eu, se bem que com outras intenções. Olhei para trás e vi o anão um tanto eufórico, ansioso. Na verdade eu também estava assim, seria a primeira calcinha que eu veria na vida. Que segredo tão maravilhoso guardaria aquele recinto escondido, até então proibido para um garoto como eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi minha tia e fui correndo até ela. Cheguei no momento exato em que uma de suas pernas se abria para o céu e oferecia uma visão que jamais esquecerei. Calcinha? Cor mágica? Segredo? Não pensei em nada disso. Fiquei em transe e senti o corpo tremer. Algo de extraordinário aconteceu naqueles poucos segundos. Tomou conta de mim um sentimento que misturava deslumbramento e descoberta com um quê de tragédia. Então era aquilo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui despertado pela gargalhada do anão, cujo corpo incrivelmente passou a crescer e atingiu a altura normal de um adulto da sua idade. Desnorteado e observado por todos, larguei a tia para trás e fui até ele. Um pouco de raiva e despeito foi me dominando. Percebi que havia sido ludibriado. O ex-anão, não se aguentando de tanto rir da minha cara, já ia se mandar, mas eu o segurei, exigindo uma explicação. Ele disse apenas que, quando criança, adorava olhar as mulheres tomando banho no rio perto de sua casa, até o dia em que viu a própria mãe pelada e foi denunciado ao padrasto (um homem mau com uma verruga no nariz). Nesse dia, o padrasto então lhe lançou uma maldição: ele jamais cresceria, até o dia em que convencesse outro garoto desavergonhado a olhar o que havia no meio das pernas de uma mulher mais velha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fui a vítima escolhida. E a maldição se abateu sobre mim. A partir desse dia, não cresci mais. Fui rejeitado por meus pais, que, depois de me aplicarem mil sermões e falarem sobre moral e bons costumes, me expulsaram de casa. E posso dizer, a todos os garotos que agora estão conhecendo minha história, que aprendi uma boa lição com o episódio. Aliás, ótima lição! Jamais me esquecerei do que vi naquela noite debaixo da anágua da tia Orlandinalva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais me recuperei daquela maldição. E tem um aspecto que o anão me escondeu: além de não crescer, percebi que, a cada vez que eu olho para as pernas de uma mulher, meu corpo perde alguns centímetros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que hoje, apesar de já idoso, sou um pouco mais alto que um rato. Mas tem um lado bom. As mulheres acham meu corpo sexy e se encantam com minha cabeleira branca, assim me deixam dar uma olhadinha naquilo que foi minha ruína e minha redenção. Sei que tenho pouco tempo de vida.  Não que esteja morrendo. Ao contrário, tenho muita vitalidade e bastante curiosidade por tudo. Em poucos dias, porém, devo desaparecer. Vou embora deste mundo em plena lucidez, contemplando pela última vez a cor mágica que todos os garotos desejam tanto conhecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-1509819141962427542?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/1509819141962427542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/cor-magica.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/1509819141962427542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/1509819141962427542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/cor-magica.html' title='A cor mágica'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-9222848798270254848</id><published>2009-06-19T10:06:00.008-03:00</published><updated>2009-09-21T08:47:18.977-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre isso e aquilo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>Serge Gainsbourg</title><content type='html'>Como parte das comemorações do Ano da França no Brasil, está aberta, no Sesc Avenida Paulista, a exposição Gainsbourg: Artista, Cantor, Poeta, etc. A instalação, montada a partir de vídeos, canções e fotos de e sobre Serge Gainsbourg, perpassa todas as fases da sua carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/b6egbFMSWdY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/b6egbFMSWdY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais conhecido fora da França pela "devassa" canção "Je t'aime moi non plus", gravada com Brigitte Bardot (com quem ele tinha um caso na época) e também com sua futura mulher Jane Birkin (mãe de Charlotte, sua filha que hoje também tem causado escândalo como protagonista do novo filme de Lars von Trier), Gainsbourg foi um daqueles artistas que se reinventam e, com isso, deixam sua marca na história da música. No final da carreira, por exemplo, sofreu influência do reggae. Por não falar inglês, nunca fez muito sucesso fora da França. Sua morte, em 1991, parou o país, apesar de ele felizmente não ter sido unanimidade entre os franceses. Jamais abandonou a companhia de belas mulheres, da bebida e de um maço de Gitanes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua homenagem, ainda haverá shows de Edgard Scandurra e Les Provocateurs também no Sesc Avenida Paulista, e um recital com suas canções e poemas de Rimbaud no Sesc Pompeia. Vale a pena!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-9222848798270254848?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/9222848798270254848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/serge-gainsbourg.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/9222848798270254848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/9222848798270254848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/serge-gainsbourg.html' title='Serge Gainsbourg'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-526200366734322733</id><published>2009-06-17T20:12:00.004-03:00</published><updated>2009-09-21T08:47:37.696-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre isso e aquilo'/><title type='text'>Sobre o título</title><content type='html'>Confesso que não gosto de títulos como o que dei para este blog, Trilhos das Letras. Prefiro algo menos óbvio, que não remeta explicitamente aos temas abordados (embora eu aqui trate de vários assuntos, não apenas da escrita). Assim, preferiria algum título meio sem sentido, como Jabuticaba Psicodélica, ou algo ligado à vida de um grande artista (infelizmente já há uma editora com o nome Casa Amarela, uma possível homenagem ao Van Gogh).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, por que escolhi esse nome? É óbvio que é por causa da imagem que vocês veem no cabeçalho da página. Foi uma foto que tirei de minha estante e a Dé recortou no Photoshop, dando a impressão de trilhos de trem. Eu já havia usado essa foto em outro blog que comecei a escrever mas parei, então resolvi aproveitá-la e, num momento de criatividade zero, só criei o título e joguei a imagem lá. Se fosse o contrário, se eu tivesse tido a ideia do nome e depois pensasse em algo que o ilustrasse, até que poderia ser perdoado. Da maneira que ocorreu, ficou meio artificial e forçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já era. Agora não tem como mudar. Só peço um pouco de boa vontade de todo mundo para aguentar esse nome. Vamos lá, não é tão ruim assim. Já pensou se você estivesse lendo agora um blog chamado Jabuticaba Psicodélica?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-526200366734322733?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/526200366734322733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/sobre-o-titulo.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/526200366734322733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/526200366734322733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/sobre-o-titulo.html' title='Sobre o título'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-3268869438210838513</id><published>2009-06-16T14:58:00.005-03:00</published><updated>2009-09-01T10:52:32.165-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua portuguesa'/><title type='text'>Se toca!</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;o:officedocumentsettings&gt;   &lt;o:allowpng/&gt;   &lt;o:targetscreensize&gt;1024x768&lt;/o:TargetScreenSize&gt;  &lt;/o:OfficeDocumentSettings&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt; 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Isso pode em muitos casos virar um dilema, no caso de um revisor, afinal ele se divide entre a obrigação de ser fiel à gramática, mas sabe que não pode alterar algumas opções do autor. Geralmente vence o bom senso: se você percebe que a construção, mesmo “errada”, soa mais natural ou foi uma escolha consciente do autor, deixa como está.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;Essa situação vale principalmente para obras literárias, em que as normas são quebradas propositalmente, e a voz do narrador cria uma sintaxe própria ‒ veja o maior de exemplo de Guimarães Rosa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;Antes de comentar um caso que observei, vou citar o milhares de vezes citado poema “Pronominais”, de Oswald de Andrade, que vale para ilustrar o que estou dizendo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;Pronominais&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;Dê-me um cigarro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;Diz a gramática&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;Do professor e do aluno&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;E do mulato sabido&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;Mas o bom negro e o bom branco&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;Da Nação Brasileira&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;Dizem todos os dias&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;Deixa disso camarada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;Me dá um cigarro&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;No poema, o autor modernista transgride a regra da colocação de pronomes para, numa reação à literatura formal e careta dos escritores da época, dar espaço à sintaxe natural do povo. Assim, a construção que seria a única aceita como correta na linguagem escrita (até os dias de hoje, infelizmente) seria a do primeiro verso, “dê-me um cigarro”, enquanto o último verso seria o maldito pela academia, “me dá um cigarro”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;E por quê? Porque diz a regra que o pronome átono (no caso, o “me”), quando inicia uma frase, deve vir depois do verbo, isto é, ele é enclítico. Assim, estaria completamente errada a construção do último verso, em que a posição do pronome foi a próclise (antes do verbo). Ora, então Oswald não conhecia a regra e cometeu um erro grosseiro? É claro que não, já que foi justamente por conhecer a norma e não concordar com ela é que ele escreveu esse poema.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;Vamos ao caso que me chamou a atenção, já há alguns anos. No mural e nos corredores de uma faculdade, colaram um cartaz com a foto de um telefone celular e, em caixa alta, a frase “Toque-se”, seguida de alguns conselhos para que os alunos desligassem os benditos aparelhinhos na hora da aula e não atrapalhassem os colegas. Algum engraçadinho, com muita propriedade, acrescentou a lápis:  “Exame de próstata”. Com certeza o piadista teve muito mais noção do significado das palavras do que o autor do cartaz.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;Todos hão de convir que “toque-se” e “se toca” têm significados completamente diferentes, e esta última construção é a que melhor se aplica à mensagem que se quis passar. O autor do cartaz (ou algum revisor que só sabe decorar regras), na ânsia de ser o mais correto possível, simplesmente não conseguiu transmitir sua mensagem, e o próprio trocadilho que tentou criar ficou engessado nas convenções.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;Por isso, aqui vai um conselho ao revisor ou escritor: se toca! &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Se você ficar preso demais a essa sua mente enclítica, é melhor mudar de emprego e estudar para ser proctologista.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-3268869438210838513?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/3268869438210838513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/se-toca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3268869438210838513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/3268869438210838513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/se-toca.html' title='Se toca!'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-530121416361730600</id><published>2009-06-13T22:24:00.003-03:00</published><updated>2009-09-21T08:47:53.591-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre isso e aquilo'/><title type='text'>São Marcos</title><content type='html'>Dizem que Ademir da Guia foi o maior jogador da história do Palmeiras. Quem sou eu, debaixo dos meus 31 anos, para discordar dos mais velhos? Agora, se eu for falar apenas do que vi, não posso deixar de eleger o Marcos como o maior jogador que já vestiu a gloriosa camisa alviverde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas defesas incríveis de são Marcos já salvaram o Palmeiras de uma derrota vergonhosa ou garantiram uma vitória suada? Ainda hoje, quando muitos já o viam pendurando as chuteiras ‒ ou melhor, as luvas ‒, ele tem provado ser um atleta em plena forma. Isso sem falar em seu caráter dentro e fora de campo e em sua fidelidade ao time que o revelou ao mundo. Aliás, ao contrário do que se tem visto no Brasil, Marcos recusou propostas milionárias para sair do país, alegando que estava muito bem aqui e não precisava de tanto dinheiro. Só esse ato já serviria de exemplo para todos nós, neste mundo em que o que vale é ter mais que o outro e o arrivismo suplanta qualquer ato de humildade ou solidariedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é à toa que Marcos encanta todos os torcedores, mesmo os de outros times ‒ principalmente depois da copa de 2002, quando foi o melhor goleiro da competição (e o segundo melhor jogador, numa posição logo abaixo da do último grande goleador brasileiro, Ronaldinho, hoje infelizmente chamado apenas de Ronaldo). Para ilustrar o respeito que Marcos conquistou no Brasil, vou contar a história da única vez em que pisei num estádio para ver um jogo.&lt;br /&gt;A partida foi no Palestra, contra o Santos. Situação embaraçosa para mim: eu estava na torcida do peixe, junto com meu sogro e meu cunhado, ambos santistas. Calma, palmeirenses exaltados, eu não virei a casaca, mas é que não tinha escolha, precisei ficar na torcida rival (qualquer dia conto com mais detalhes o que aconteceu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, ao estar do outro lado, sem poder sequer vibrar com os gols do verdão, pude observar melhor o comportamento da torcida. O Edmundo pega na bola e os santistas o mandam para aquele lugar. O Osmar faz um gol, dois gols, e os santistas descontam a raiva na mãe do coitado. E assim com todos os jogadores do Palmeiras, que, ao pegaram na bola, tinham seu repertório de palavrões bastante enriquecido com os gritos da arquibancada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então o Marcos faz uma daquelas suas grandes defesas. Eu, já enrubescendo com o iminente desabafo cabeludo dos santistas, fico perplexo ao ouvir os comentários: “Pô, Marcão, não faz isso com a gente”, “Que é isso, Marcão”, “Deixa uma passar, Marcão”. Ué, cadê os palavrões, cadê a reação irada? Nada, e isso durante toda a partida. E ele não era nem o “Marcos”, era o Marcão, parecia íntimo de todos os presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, 3 a 3. Saí de lá com uma sensação de derrota (o Palmeiras vencia por 3 a 1). No íntimo, porém, percebi que ainda era possível encontrar algo de sublime no mundo do futebol. E pensei que, se aquela fosse a última vez em que pisaria num estádio, já teria valido a pena ‒ eu tinha visto Marcos jogar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-530121416361730600?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/530121416361730600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/sao-marcos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/530121416361730600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/530121416361730600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/sao-marcos.html' title='São Marcos'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-5218260194570493829</id><published>2009-06-12T17:22:00.003-03:00</published><updated>2009-09-01T10:53:08.939-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Língua portuguesa'/><title type='text'>Acordo ortográfico</title><content type='html'>Dia a dia, em meu trabalho de revisor, venho me deparando com algumas palavras ou expressões que geram dúvida quanto à grafia. Mas, por utilizar em meu serviço a nova ortografia desde 2008 (preparando apostilas que seriam impressas só agora, em 2009), já me acostumei com todas as regras novas, depois de ter batido a cabeça na parede um milhão de vezes tentando decifrar alguns casos simplesmente esquecidos pelo texto oficial do acordo. Com a publicação do Volp, um pouco de luz veio iluminar a vida mal paga dos revisores de plantão, e esses casos complicados foram esclarecidos pela pena arbitrária do professor Bechara, que decidiu na unha (sem consultar nossos antepassados lusitanos) que determinada palavra se escreve assim ou assado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, hoje não quero entrar nessa discussão sobre as decisões tomadas na ABL, ou seja lá onde, que culminaram com a publicação do novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Isso ainda vai dar muita briga, principalmente quando os portugueses finalmente decidirem implantar o acordo ortográfico lá pras bandas d'além mar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje quero apenas tratar do caso da expressão que inicia este texto: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;dia a dia&lt;/span&gt;. Como você já deve saber, a locução &lt;span style="font-style:italic;"&gt;dia a dia&lt;/span&gt;, usada como adjunto adverbial no sentido de diariamente, não tem hífen nem nunca teve. Até aí, tudo bem. No entanto, como fica o substantivo que significa rotina, labuta diária? Acho que muita gente vai se espantar ao saber que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;o dia a dia&lt;/span&gt; perdeu o hífen (ou melhor, os hifens, pois tinha dois). Alguém pode até pensar "ué, mas tinha hífen?" Tinha! Antes havia &lt;span style="font-style:italic;"&gt;dia a dia&lt;/span&gt;, usado em "Dia a dia ele visitava a vizinha tentando suduzi-la", e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;dia-a-dia&lt;/span&gt;, como em "O dia-a-dia de uma emissora de TV é agitado". Hoje, com as novas regras, nos dois casos se usa apenas a locução sem hífen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa grafia controversa vem do próprio texto do acordo: "Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais, não se emprega em geral o hífen, salvo algumas exceções consagradas pelo uso". O problema está nessas exceções, algumas delas listadas pelo documento oficial, mas muito poucas, entre as quais não se encontra &lt;span style="font-style:italic;"&gt;dia a dia&lt;/span&gt;, do que se deduz que este foi um caso em que se fez necessária a mão firme de Bechara, respaldada pelas regras do acordo. Ora, para mim, que sempre trabalhei com as palavras, o substantivo hifenizado &lt;span style="font-style:italic;"&gt;dia-a-dia&lt;/span&gt; era consagrado pelo uso. Por que lhe foram tirados os hifens? Quais os critérios para definir o que é consagrado pelo uso? Citando mais dois exemplos, por que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cor-de-rosa&lt;/span&gt; tem hífem e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;cor de vinho&lt;/span&gt; não? Dirão que as duas locuções sempre foram escritas assim e dicionarizadas dessa forma, portanto, consagradas. Mas não seria o caso de aproveitar a oportunidade e simplificar a grafia das palavras e locuções, criando uma regra única para todas elas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso não entender o porquê de muitas das decisões tomadas. Em vez de aprendermos a regra uma vez e a aplicarmos a todos os casos similares, teremos de recorrer sempre ao Volp ou a algum dicionário (quando os bons dicionários já estiverem atualizados) para cada palavrinha que gerar dúvida quanto à grafia. E assim vamos levando a vida de revisores e escritores, lutando dia a dia com uma língua que muitas vezes insiste em fugir de nossa compreensão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-5218260194570493829?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/5218260194570493829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/acordo-ortografico.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5218260194570493829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/5218260194570493829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/acordo-ortografico.html' title='Acordo ortográfico'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1575863053504263733.post-7393909745410326690</id><published>2009-06-10T20:06:00.001-03:00</published><updated>2009-09-21T08:48:19.240-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre isso e aquilo'/><title type='text'>Primeiro dia de artista</title><content type='html'>Acho que todo mundo que tem um parafuso a menos na cabeça já teve o desejo de ser artista (músico, pintor, escultor, escritor, ator e o escambau). No meu caso, desde criança quis escrever. Acabei me desviando e escrevendo muito pouco (alguns contos e poemas sofríveis), mas o desejo sempre persistiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, decidi que chegou a hora de fazer a cachola funcionar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra começo de conversa, larguei meu emprego. Trabalhava de revisor numa universidade, mas o trampo estava tão pesado, o volume de trabalho tão imenso, que não aguentei. Revisar apostilas, provas e slides de professores nunca foi meu sonho,  então por que continuar, por que perder praticamente meu dia todo num serviço lá do outro lado da cidade que só me desgastava? Saí de lá e quero começar a viver de frila, reservando um tempinho diário para escrever aqui neste blog e tentar rabiscar um romance. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje foi meu primeiro dia de desempregado &lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CUsers%5CEduardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt; 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Aproveitei pouco, fiz alguns contatos pra pegar serviço frila. Vamos ver no que dá. Fui fazer o exame demissional. Li a Folha. Respondi a alguns e-mails do pessoal do serviço se despedindo. E resolvi montar este blog. Não sei o que vou escrever daqui para a frente. Poesia? Contos? Reflexões? Pode ser. Pretendo também falar um pouco sobre o acordo ortográfico, sobre meu estranhamento com algumas construções novas desta língua que, apesar das barbaridades que cometem contra ela, será sempre linda. Com isso, talvez alguém que busca tirar uma dúvida e precisa de um revisor acabe caindo sem querer por aqui e me passando um serviço. Se bem que, tenho certeza, será um milagre se houver mais que três leitores destes meus textos inúteis. E será uma pena se houver mais que esse número de pessoas perdendo tempo com isto, enquanto há uma obra inesquecível assinada por Proust a ser lida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hoje é só. Aos poucos vou escrever meu perfil ali na lateral da tela e fazer uma propagandinha do meu serviço &lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" defunhidewhenused="true" defsemihidden="true" defqformat="false" defpriority="99" latentstylecount="267"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="0" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Normal"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="heading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 7"&gt; 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Seja como for, eu vou ser artista. E já comecei bem, sem emprego, vagabundo e endividado. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1575863053504263733-7393909745410326690?l=trilhosdasletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/feeds/7393909745410326690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/primeiro-dia-de-artista.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7393909745410326690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1575863053504263733/posts/default/7393909745410326690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://trilhosdasletras.blogspot.com/2009/06/primeiro-dia-de-artista.html' title='Primeiro dia de artista'/><author><name>Eduardo Sigrist</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09975664990249882241</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_O4EVXYbAOzM/S1RHKz6KMJI/AAAAAAAAAF8/7MqWG2G9zLk/S220/eu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
