Os cariocas sempre celebraram e reverenciaram, com toda a justiça, seus grandes sambistas, para o bem da música. Eu não entendo por que nós, paulistas, não fazemos o mesmo com os cantores e compositores que cantam nossas origens, nossas raízes.
Raízes... A música sertaneja, a legítima, que louva a terra e a vida no campo, é hoje chamada de música de raiz para ser diferenciada do que fazem esses atuais cantorzinhos bombados vestidos de caubói que se autointitulam sertanejos. Esses falsos sertanejos fazem muito mais sucesso do que os saudosos violeiros, e são ouvidos em altos volumes até na desenvolvida capital do estado, que de tão industrializada parece ter vergonha do seu passado provinciano. Garanto que poucos paulistanos conhecem "Cafezal em flor", na voz de Cascatinha e Inhana, embora todos tenham orgulho da riqueza provinda do período cafeeiro. E muitos menos paulistanos devem saber que o compositor de "Cafezal em flor" é Luiz Carlos Paraná, que foi parceiro, entre outros, de Paulo Vanzolini e que também morou no Rio e dividiu quarto de pensão com um certo João Gilberto. Uau, então esse cara é bom!
Mas não é para falar dele que estou escrevendo este texto. É para lamentar a perda do Pena Branca, o viúvo do Xavantinho. Morreu na noite de ontem. Com ele, enterra-se uma das melhores duplas sertanejas desta terra, que flertava inclusive com a MPB, mas que não punha o pé fora do estribo da música de raiz.
Segue aqui um vídeo (dos poucos que há da dupla no Youtube) de "Cálix Bento", para juntarmos o choro da nossa voz nesta triste manhã com a comovente voz de Pena Branca e Xavantinho.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
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Eduardo, as colocações que você faz sobre os assuntos abordados são muito interessantes.
ResponderExcluirÉ preciso uma boa dose não só de conhecimento, mas também de imaginação!
Parabéns, continue sempre assim!
Só uma sugestão: porque um vinho com nome mais fácil de pronunciar cê num bebe?