quarta-feira, 22 de julho de 2009

Medo da gripe

Tudo bem, eu sei que sempre fui meio paranoico e medroso, mas dessa vez acho que essa gripe suína pode ficar séria mesmo. A cada dia mais e mais casos e o aumento de mortes (até na minha natal Indaiatuba já morreu uma mulher). E dizem que o pior está por vir, quando chegar a tal segunda onda, que provavelmente deve ocorrer no inverno do ano que vem. A gripe espanhola, responsável por milhões de mortes no começo do século XX, também começou pouco letal e com o tempo foi se desenvolvendo até dizimar a população de boa parte do mundo, inclusive do Brasil.

No começo de maio eu ainda trabalhava no Jaguaré e pegava um ônibus na Doutor Arnaldo, em frente ao Emílio Ribas. Fiquei assustado com as equipes de TV postadas por ali para noticiar os primeiros casos confirmados em São Paulo. No entanto, o que mais me assustou foi a neblina sobre a cidade, e principalmente entre os prédios da Paulista, que se estendeu por todo o caminho até o Jaguaré. É claro que minha imaginação começou a funcionar e eu já passei a enxergar um clima apocalíptico em tudo. E me lembrei de A peste, do Camus, antevendo em São Paulo a mesma tragédia ambientada por ele em Oran, embora seu livro tratasse da peste bubônica, em vez da gripe. Algumas semanas depois, não pensei duas vezes em cancelar uma viagem que faria em agosto pela Argentina, trocando-a por uma temporada curta no ensolarado, e menos suscetível à gripe, Ceará.

Agora leio que o Instituto Butantan promete uma vacina contra a gripe suína apenas para o ano que vem. Virá a tempo? Vamos torcer para que sim. Se a segunda onda atacar somente no ano que vem (e com muito mais força no inverno), espero que chegue logo o calor, quando a disseminação do vírus fica mais difícil. Assim teremos tempo de tomar a vacina e estar protegidos contra a pior fase.

Bem, e se nas próximas semanas a coisa não melhorar, e se vocês não encontrarem mais mensagens novas neste blog, das duas uma: ou estarei estendendo minha viagem pelo Ceará, debaixo do sol protetor de Jericoacoara, ou estarei na companhia de Camus, numa discussão existencial (e, por outro lado, espiritual) a respeito do medo da morte. Sinceramente, me desculpe o Camus, mas prefiro muito mais a primeira opção.

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